Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional do cacau segue encontrando dificuldades para sustentar movimentos de alta mais consistentes. Apesar da volatilidade observada nas últimas semanas, as expectativas de recuperação da produção na África Ocidental e o crescimento contínuo dos estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) continuam limitando o avanço das cotações.
Na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, agricultores relataram que as chuvas da última semana ficaram abaixo da média em grande parte das regiões produtoras. Ainda assim, as precipitações foram consideradas suficientes para favorecer o desenvolvimento da safra intermediária, que ocorre entre março e agosto, contribuindo para o aumento do tamanho e da qualidade das amêndoas que estão sendo colhidas.
Esse cenário reforça a percepção do mercado de que a produção africana poderá apresentar recuperação na safra 2025/26 após os desafios enfrentados nas últimas temporadas. As perspectivas mais favoráveis para a oferta têm reduzido o apetite comprador e contribuído para uma postura mais cautelosa dos participantes do mercado.
Refletindo esse ambiente, o contrato de cacau com vencimento em julho encerrou o pregão de ontem cotado a US$ 3.895 por tonelada, registrando queda de US$ 28. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.845 e a máxima de US$ 4.099 por tonelada, demonstrando que a volatilidade continua presente nas negociações.
A atividade dos investidores permaneceu elevada. Foram registrados 18.675 negócios, movimentando um volume total de 53.788 contratos. O interesse aberto estimado avançou em 2.436 contratos, alcançando 205.810 posições, indicando que novos participantes seguem ingressando no mercado mesmo diante da recente pressão baixista.
Outro fator que continua pesando sobre as cotações é o avanço dos estoques certificados da ICE nos portos dos Estados Unidos. Os estoques cresceram mais 25.006 sacas e atingiram 2.871.963 sacas, o maior volume registrado nos últimos dois anos. O aumento contínuo da disponibilidade física certificada tem sido interpretado pelo mercado como um sinal de maior conforto na oferta de curto prazo.
No mercado cambial, o contrato futuro do real com vencimento em 30 de junho permaneceu praticamente estável, sendo negociado em torno de R$ 5,05 por dólar na Bolsa de Chicago.
Pela análise técnica, o Índice de Força Relativa (RSI) do contrato julho opera em 68%, próximo da faixa considerada de sobrecompra. Embora o indicador ainda demonstre força compradora, ele também sugere que o mercado pode encontrar dificuldades para avançar sem novos fundamentos que justifiquem uma retomada mais consistente das altas.
Fonte: mercadodocacau


