Costa do Marfim eleva prêmio nas vendas futuras e reforça sinais de aperto no mercado de cacau

O mercado internacional do cacau segue atento aos movimentos dos principais países produtores, em um cenário que combina recuperação econômica em Gana, cautela climática na Costa do Marfim e demanda ainda resiliente por parte da indústria global de chocolates.

Em Londres, o presidente e o ministro das Finanças de Gana afirmaram nesta quarta-feira que a dívida africana continua sendo precificada de forma inadequada pelos mercados internacionais. As autoridades destacaram a necessidade de mecanismos mais rápidos e justos para reestruturação de dívidas e reforçaram a meta do país de recuperar o grau de investimento nos próximos três anos.

A declaração ocorre em um momento de recuperação gradual da economia ganesa, após o país enfrentar um default da dívida em 2022, que exigiu uma ampla reestruturação dos compromissos internos e externos. Como segundo maior produtor mundial de cacau, a estabilidade econômica de Gana continua sendo acompanhada de perto pelos participantes do mercado.

Enquanto isso, a Costa do Marfim, maior produtor global da commodity, sinaliza uma postura mais cautelosa em relação à próxima safra. O país já comercializou aproximadamente 1 milhão de toneladas de cacau por meio de contratos de exportação para a safra principal 2026/27, porém começou a desacelerar o ritmo das vendas diante das preocupações com os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção futura.

Outro fator que chamou a atenção do mercado foi a decisão do Conselho do Café e Cacau (CCC) de elevar o prêmio cobrado sobre as vendas futuras. O diferencial, que anteriormente era negociado próximo de zero, passou para pelo menos 100 libras esterlinas por tonelada acima das cotações futuras negociadas em bolsa.

A medida é interpretada por agentes do setor como um indicativo de maior confiança na demanda internacional e também de preocupação com a disponibilidade de oferta ao longo da próxima temporada. Em outras palavras, a Costa do Marfim demonstra menor disposição em antecipar grandes volumes de vendas diante das incertezas climáticas e dos riscos para a produção.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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