Estoques elevados e cenário macroeconômico mantêm cacau sob pressão

Por: Claudemir Zafalon

Os preços do cacau voltaram a registrar queda nas bolsas internacionais, refletindo um ambiente de maior cautela entre investidores diante de fatores técnicos e das incertezas que continuam cercando a economia global.

Os mercados financeiros seguem sendo impactados por uma combinação de desafios, incluindo conflitos geopolíticos, inflação persistente em diversas economias, manutenção de juros elevados e instabilidade no setor de tecnologia. Esse conjunto de fatores tem reduzido o apetite ao risco e aumentado a volatilidade nos mercados de commodities.

No caso específico do cacau, a proximidade da liquidação física do contrato de julho, prevista para o próximo dia 24 de junho, tem contribuído para a pressão sobre os preços. Além disso, a ausência de novidades relevantes relacionadas à demanda global, ao desenvolvimento da safra africana e aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção nos principais países produtores mantém os participantes do mercado em posição defensiva.

Com poucos fatores capazes de estimular novas compras, as cotações retornaram à importante região de suporte observada pelos operadores. O movimento ocorre após semanas de intensa volatilidade, em que o mercado alternou momentos de recuperação e realização de lucros.

O contrato de cacau com vencimento em julho encerrou o pregão de ontem cotado a US$ 3.757 por tonelada, registrando queda de US$ 74. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.736 e a máxima de US$ 3.872. Foram realizados 18.402 negócios, movimentando um volume total de 61.503 contratos.

O interesse aberto estimado apresentou leve redução, encerrando o dia em 202.918 contratos, sinalizando certa diminuição na participação especulativa à medida que se aproxima o vencimento do contrato.

Enquanto isso, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos continuam avançando. Houve acréscimo de 4.111 sacas no último levantamento, elevando o total para 2.922.429 sacas, o maior nível observado em vários meses e um fator que segue contribuindo para limitar movimentos de recuperação mais expressivos nos preços.

No mercado cambial, o contrato futuro do real negociado na Bolsa de Chicago para vencimento em 30 de junho permanece praticamente estável, cotado em R$ 5,20 por dólar. A estabilidade da moeda brasileira reduz, momentaneamente, os impactos das oscilações cambiais sobre a formação dos preços internos do cacau.

Com o mercado novamente testando regiões de suporte, os próximos dias serão decisivos para avaliar se os preços encontrarão sustentação técnica ou se novas pressões poderão levar as cotações para níveis ainda mais baixos, especialmente diante da falta de notícias capazes de alterar significativamente as perspectivas de oferta e demanda no curto prazo.

Fonte: mercadodocacau

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