Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional do cacau segue sob pressão diante do aumento da oferta global. A Costa do Marfim, maior produtora mundial da commodity, revisou para cima sua estimativa de recebimento de cacau nos portos, acrescentando mais de 260 mil toneladas à projeção da safra atual. O volume reforça a percepção de maior disponibilidade do produto no mercado e contribui para a manutenção dos preços em patamares mais baixos.
Dados acumulados apontam que, entre 1º de outubro de 2025 e 7 de junho de 2026, foram entregues 1,95 milhão de toneladas de cacau aos portos marfinenses. O resultado representa um crescimento de 18,9% em comparação com o mesmo período da temporada anterior. Além da revisão da safra, o retardamento dos efeitos negativos do fenômeno El Niño sobre as lavouras tem favorecido a produção e ampliado a oferta disponível para exportação.
Na Bolsa de Nova York, o contrato de cacau com vencimento em julho encerrou o pregão de quinta-feira cotado a US$ 3.710 por tonelada, registrando queda de US$ 47 no dia. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.694 e a máxima de US$ 3.798. Foram realizados 16.009 negócios, movimentando um volume total de 68.398 contratos.
Segundo analistas, a proximidade do vencimento dos contratos tem estimulado a rolagem de posições, fator que contribui para o aumento da liquidez no mercado. O interesse aberto estimado avançou em 2.325 contratos, alcançando o total de 204.309 contratos em aberto.
Enquanto isso, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos apresentaram redução de 2.535 sacas, totalizando 2.919.894 sacas. Apesar da queda nos estoques, o cenário de ampla oferta global continua predominando nas negociações.
No mercado cambial, o contrato futuro do real com vencimento em 30 de junho, negociado na Bolsa de Chicago, permaneceu estável, cotado a R$ 5,10 por dólar. A estabilidade da moeda brasileira contribui para limitar oscilações adicionais nos preços do cacau para os agentes do mercado nacional.
Com a revisão positiva da safra da Costa do Marfim e a manutenção de boas condições produtivas, o mercado segue atento ao comportamento da demanda global e aos próximos relatórios de produção, fatores que devem continuar influenciando a formação dos preços nos próximos meses.


