Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional de cacau iniciou a semana em forte alta, alcançando os níveis mais elevados dos últimos 30 dias. O principal fator por trás desse movimento foi a cobertura de posições vendidas (short covering), estratégia utilizada por investidores que apostavam na queda dos preços e precisaram recomprar contratos para encerrar suas posições, impulsionando as cotações.
Além do movimento técnico, fatores climáticos também contribuíram para a valorização da commodity. As altas temperaturas registradas na Europa e o excesso de chuvas nas principais regiões produtoras da África Ocidental vêm gerando preocupações sobre a logística da colheita e o escoamento da produção, fortalecendo o sentimento altista entre os participantes do mercado.
O contrato de cacau com vencimento em setembro encerrou o pregão desta segunda-feira cotado a US$ 4.621 por tonelada, registrando expressiva valorização de US$ 384 no dia. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 4.302 e a máxima de US$ 4.672, chegando a testar a importante zona de resistência dos US$ 4.650.
A movimentação foi acompanhada por um elevado volume de negociações. Foram registrados 32.610 negócios, movimentando um total de 61.930 contratos. Apesar da forte alta, o interesse aberto estimado continua em queda, atualmente em 185.560 contratos. Esse comportamento reforça a avaliação de que a valorização recente está sendo impulsionada principalmente pela liquidação de posições vendidas, e não pela entrada de novos compradores no mercado.
Outro fator que segue no radar dos investidores é a redução dos estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos. Os volumes recuaram em 3.828 sacas, totalizando agora 2.914.908 sacas armazenadas, sinalizando uma oferta mais ajustada.
No cenário regulatório, o setor acompanha com atenção as discussões no Reino Unido. O governo britânico planeja implementar novas regras para garantir que produtos de consumo diário comercializados no país, incluindo café e cacau, não estejam associados ao desmatamento ilegal em qualquer parte do mundo. A medida pode gerar impactos relevantes para cadeias produtivas globais e aumentar as exigências de rastreabilidade dos produtos exportados.
No mercado cambial, o contrato futuro do real negociado na Bolsa de Chicago segue enfraquecido. Com isso, o dólar é cotado a R$ 5,18, fator que continua influenciando as estratégias de comercialização e exportação do cacau brasileiro
Fonte: mercadodocacau


