Cacau inicia semana com forte alta nos mercados internacionais
Com valorização de +16% frente à última segunda-feira, o contrato com vencimento em setembro do cacau em Nova Iorque (ICE-US) fechou a sessão a US$4.621/t, no maior patamar em mais de quatro semanas.
Os ‘drivers’ são conhecidos, mas com uma volatilidade maior do que o usual: clima e os impactos do El Niño extremo sobre as safras do Oeste africano. O rali reflete a intensificação do prêmio embutido no preço, com o efeito climático trazendo não apenas um viés de seca, mas principalmente irregularidade no regime de chuvas.
Na África Ocidental, isso se traduz em temperaturas mais altas e estresse hídrico em fases críticas do 3ºT em diante, limitando o pegamento de flores e o enchimento das vagens, o que segue consistente com a contagem de pods abaixo da média, como temos pontuado neste espaço.
No que já ocorre atualmente temos o outro extremo: chuvas excessivas na Costa do Marfim e Camarões estão dificultando o acesso às lavouras, prejudicando o manejo e elevando o risco de doenças como a ‘brown rot’, além de impactar a qualidade das amêndoas. Esse ambiente mais úmido, sobre plantas já fragilizadas, aumenta o potencial de perdas adicionais, tomando também por base que as chuvas devem continuar nos dois players até ao menos o final do mês.
O ponto central é que o mercado passa a precificar um cenário mais complexo que a seca clássica: clima errático, com alternância entre excesso (o que ocorre agora) e falta de chuva (o perigo que o El Niño deve trazer). Em algumas regiões, as precipitações favorecem o desenvolvimento dos pods; em outras, geram problemas operacionais e fitossanitários, reforçando a baixa previsibilidade da safra.
Assim como anos atrás tivemos uma precificação no mercado futuro, repassada ao físico e aos sobprodutos, de menor oferta, o principal contraponto aqui é justamente a recomposição de estoques que tivemos desde o último ciclo deficitário: um total de 442 mil/t considerando 2024/25 até a projeção de 2026/27, chegando num estoque-uso de 36,3% (o mais alto desde 2021/22).
Ainda, é importante colocar o fato de que o consumo estava voltando a melhorar, dados preços mais baixos, um movimento que pode cessar justamente pela nova alta nos preços – muito em breve, em meados de julho, já teremos as moagens trimestrais para nossa conclusão. Por fim, o último elemento da nossa análise é o ‘elefante na sala’ que segue assim desde ao menos o final do ano passado: a posição venda dos especuladores.
Logo mais teremos o número de 16/Jun, e o contexto até aqui é de uma posição bastante vendida (a maior desde ao menos o período pré-pandemia), que mostra uma dualidade: até agora, com essa maior oferta e a destruição de demanda, os preços caíram e essa aposta se mostrou vencedora; daqui pra frente, com prêmio climático e volatilidade na oferta, pode se tornar justamente um catalisador que amplifica os movimentos, começando com a alta recente.
Resumindo, o mercado entra em um regime mais sensível ao risco climático, com menor previsibilidade da oferta, o que sustenta o viés positivo no curto prazo. Ainda assim, estoques mais confortáveis limitam movimentos mais extremos, enquanto a posição vendida dos especuladores adiciona potencial de amplificação da volatilidade até ao menos que saibamos o viés da demanda, em meados do próximo mês.
Texto de mercado desenvolvido pelo time de gerenciamento de risco da StoneX.
Para mais informações sobre o serviço, acesse o link.

