Chegadas de cacau na Costa do Marfim avançam 18,4% e consolidam recuperação da oferta global

Por: Claudemir Zafalon

As chegadas de cacau aos portos da Costa do Marfim continuam confirmando a recuperação da oferta mundial na safra 2025/26. Dados divulgados nesta semana mostram que o maior produtor de cacau do mundo recebeu 1,910 milhão de toneladas métricas entre 1º de outubro de 2025 e 28 de junho de 2026, volume 18,4% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.

O resultado fortalece a percepção de que o mercado global caminha para um cenário de maior disponibilidade de amêndoas após dois anos consecutivos de forte restrição de oferta, período marcado por quebras de safra provocadas por eventos climáticos extremos, doenças nas lavouras e redução da produtividade na África Ocidental.

Outro indicador que reforça essa tendência veio da Nigéria. As exportações de cacau do país cresceram 28% em maio, totalizando 18.034 toneladas métricas. O desempenho demonstra que, além da Costa do Marfim, outros importantes produtores africanos também vêm ampliando a oferta para o mercado internacional.

As chegadas aos portos da Costa do Marfim são consideradas um dos principais termômetros da safra mundial, pois refletem o ritmo da colheita, da comercialização e do escoamento da produção. O crescimento observado nesta temporada reforça as expectativas de que o mercado registre um superávit de oferta ao longo de 2026, contribuindo para recompor os estoques globais.

Entretanto, a melhora dos fundamentos de oferta ainda convive com importantes fatores de risco. As fortes chuvas registradas nas últimas semanas na Costa do Marfim e em Gana têm dificultado o transporte das amêndoas das fazendas até os centros de compra e os portos, provocando alagamentos em estradas e atrasos na logística. Além disso, o excesso de umidade aumenta as preocupações com a qualidade do cacau e favorece o avanço de doenças nas lavouras.

Como o volume de chuvas acumulado em junho já se aproxima da média histórica para o mês, operadores seguem atentos às previsões meteorológicas. Novos episódios de precipitações intensas podem comprometer o encerramento da safra intermediária e influenciar o desenvolvimento da safra principal, prevista para iniciar em setembro.

Mesmo diante do avanço da oferta, o mercado futuro continua apresentando forte volatilidade. Na sessão de segunda-feira, o contrato de cacau com vencimento em setembro encerrou cotado a US$ 4.967 por tonelada, queda de US$ 128 no dia. Durante o pregão, os preços oscilaram entre US$ 4.856 e US$ 5.076.

O interesse aberto estimado aumentou em 1.285 contratos, atingindo 186.375 contratos, indicando que novos participantes continuam ingressando no mercado mesmo após a recente realização de lucros. Já o Índice de Força Relativa (RSI) permanece em 69%, mostrando que o mercado ainda opera com viés de força, embora próximo de uma região considerada tecnicamente elevada.

Outro indicador acompanhado pelos investidores também aponta para uma melhora gradual na disponibilidade física de cacau. Os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE), nos portos dos Estados Unidos, cresceram 1.578 sacas, alcançando 2.945.937 sacas. Embora ainda permaneçam abaixo dos níveis históricos registrados antes da crise de oferta, os estoques vêm apresentando recuperação consistente ao longo dos últimos meses.

Nas entregas físicas do contrato de julho foram registradas 57 entregas, todas originadas pela StoneX. A Société Générale recebeu 19 contratos, enquanto o Citi recebeu outros 38, elevando o total acumulado para 359 contratos.

No mercado cambial, o dólar voltou a ganhar força frente ao real, sendo negociado próximo de R$ 5,18. A valorização da moeda norte-americana tende a melhorar a competitividade das exportações brasileiras e influencia diretamente a formação dos preços pagos aos produtores no mercado interno.

Fonte: mercadodocacau

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