Por: Claudemir Zafalon
Os contratos futuros de cacau seguem negociados acima da marca de US$ 5.000 por tonelada, sustentados pelas crescentes preocupações do mercado com o potencial produtivo da safra 2026/27 da Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity. Embora as projeções atuais apontem para uma recuperação da oferta global em 2025/26, investidores e indústrias já voltam suas atenções para o próximo ciclo agrícola, que começa a apresentar sinais de risco.
Um levantamento realizado pela Bloomberg junto a traders, exportadores e outros participantes do mercado indica que a produção marfinense poderá registrar uma queda de aproximadamente 20% em relação à safra atual. A estimativa é baseada principalmente na baixa contagem de frutos (pod counts), um dos principais indicadores utilizados para antecipar o potencial produtivo dos cacaueiros.
De acordo com os participantes consultados, diversas regiões produtoras apresentam número de frutos abaixo do padrão esperado para esta época do ano. Além disso, tanto o desenvolvimento da safra intermediária quanto o início da formação da safra principal de 2026/27 vêm apresentando desempenho inferior ao observado em temporadas anteriores.
Outro fator que mantém o mercado em alerta é a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre. Caso esse cenário se confirme, aumenta também o risco de ocorrência de um Harmattan mais intenso, vento quente e seco típico da África Ocidental entre os meses de dezembro e fevereiro, condição que pode reduzir a umidade, provocar estresse hídrico nas plantas e comprometer ainda mais a produtividade da próxima colheita.
Esse conjunto de fatores tem mantido um prêmio de risco incorporado às cotações, impedindo uma correção mais intensa dos preços mesmo diante da recuperação dos estoques certificados e das expectativas de melhora na oferta global.
Na sessão desta terça-feira, o contrato de cacau com vencimento em setembro encerrou o pregão cotado a US$ 5.078 por tonelada, alta de US$ 111. Durante o dia, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 4.883 e a máxima de US$ 5.220. Foram negociados 19.151 contratos, com volume total de 37.666 contratos, enquanto o interesse em aberto permaneceu praticamente estável em 186.568 contratos, indicando que os participantes continuam mantendo suas posições no mercado.
O Índice de Força Relativa (RSI), indicador utilizado para medir o momento do mercado, encontra-se em 67%, sinalizando que a tendência permanece positiva, embora próxima de uma região considerada tecnicamente aquecida.
No mercado físico, não houve entregas referentes ao contrato de julho na sessão de ontem, mantendo o total acumulado em 359 contratos. Já os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos registraram novo aumento de 1.949 sacas, alcançando 2.947.886 sacas. Apesar da recuperação dos estoques ao longo dos últimos meses, o mercado segue atribuindo maior peso às incertezas climáticas e ao potencial produtivo da próxima safra africana.
No mercado cambial, o contrato futuro do real com vencimento em agosto, negociado na Bolsa de Chicago, apresentou enfraquecimento, enquanto o dólar voltou a ser negociado próximo de R$ 5,22. Para o mercado brasileiro, um câmbio mais valorizado tende a favorecer a competitividade das exportações e contribuir para a sustentação dos preços internos pagos aos produtores.
Com o início das avaliações da safra principal da África Ocidental e a evolução das previsões climáticas para os próximos meses, a expectativa é de que o mercado de cacau continue apresentando elevada volatilidade, reagindo rapidamente a qualquer informação relacionada ao clima, ao desenvolvimento das lavouras e ao comportamento da oferta mundial.
Fonte: mercadodocacau


