Por: Claudemir Zafalon
As preocupações com o fortalecimento do fenômeno El Niño voltaram a movimentar o mercado internacional de commodities agrícolas e impulsionaram uma nova valorização do cacau. O cenário é sustentado, principalmente, pelas perspectivas de uma safra menor na Costa do Marfim, maior produtora mundial da amêndoa.
As primeiras avaliações da temporada 2026/27 indicam que diversas regiões produtoras marfinenses apresentam quantidade de frutos abaixo do esperado para esta época do ano. Além disso, tanto a safra intermediária (mid-crop) quanto o desenvolvimento inicial da safra principal estão atrasados em relação aos ciclos anteriores.
Analistas do mercado projetam que a produção do país fique entre 1,7 e 1,8 milhão de toneladas, uma redução significativa frente às cerca de 2,2 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26. O recuo é atribuído aos impactos das fortes chuvas que atingiram o país, provocando alagamentos nas lavouras, atrasos na colheita e dificuldades logísticas para o transporte da produção.
Além dos prejuízos imediatos, o excesso de umidade aumenta o risco de proliferação de doenças fúngicas e pragas justamente durante as fases mais sensíveis de formação e maturação das vagens, elevando ainda mais as preocupações quanto ao potencial produtivo da próxima safra.
O cenário também inspira atenção em Gana, segundo maior produtor mundial de cacau, que igualmente enfrentou episódios de chuvas intensas. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa de fortalecimento do fenômeno El Niño na segunda metade do ano, condição que pode intensificar o Harmattan, vento quente e seco característico da África Ocidental. O fenômeno reduz a umidade do solo, aumenta o estresse hídrico das plantas e pode comprometer ainda mais a produtividade das lavouras.
Na última quinta-feira, antes do feriado nos Estados Unidos, o contrato de cacau com vencimento em setembro encerrou o pregão cotado a US$ 5.036 por tonelada, com queda diária de US$ 56. Durante a sessão, os preços oscilaram entre US$ 4.972 e US$ 5.177.
Foram negociados 12.313 contratos, totalizando um volume de 29.373 contratos, enquanto o interesse em aberto aumentou em 3.015 contratos, alcançando 191.813.
As entregas físicas referentes ao contrato de julho permanecem em 359 contratos.
Já os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) apresentaram aumento de 17.675 sacas, totalizando 3.035.471 sacas armazenadas nos portos norte-americanos.
Outro indicador acompanhado pelos investidores é o RSI (Índice de Força Relativa), que nesta manhã atingiu 73,8%, sinalizando um mercado operando em níveis elevados de valorização.
Próximos fatores de atenção
O mercado também aguarda a divulgação, no próximo 16 de julho, dos dados de moagem de cacau referentes ao segundo trimestre de 2026 na Europa, Ásia e América do Norte. Os números servirão como importante termômetro da demanda global pela commodity.
No mercado financeiro, o contrato futuro do real para agosto, negociado na bolsa de Chicago, registra valorização, enquanto o dólar é cotado em R$ 5,20, fator que também influencia a competitividade das exportações brasileiras de cacau.
Diante das incertezas climáticas e da expectativa de uma oferta mais restrita na África Ocidental, o mercado segue atento aos próximos desdobramentos, que poderão manter os preços do cacau em patamares elevados nas próximas semanas.
Fonte: mercadodocacau


