Barry Callebaut descarta repetição da crise de 2023 e 2024 mesmo com risco de forte El Niño

A Barry Callebaut não espera uma repetição da turbulência que atingiu o mercado global de cacau entre 2023 e 2024, mesmo diante da possibilidade de formação de um forte El Niño nos próximos meses. A avaliação foi apresentada pelo diretor financeiro da companhia, Peter Vanneste, que destacou uma diferença fundamental entre os dois períodos: a situação atual da oferta mundial.

A perspectiva ganha relevância após a agência meteorológica das Nações Unidas elevar sua previsão para o rápido desenvolvimento de um forte El Niño, fenômeno climático considerado especialmente sensível para as principais regiões produtoras de cacau. O padrão tende a alterar os regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo, aumentando os riscos para as lavouras.

Segundo Vanneste, o cenário atual é diferente daquele observado durante a forte crise de oferta que levou os preços do cacau a níveis históricos. Em 2023 e 2024, o El Niño coincidiu com a principal safra e ocorreu em meio ao terceiro ano consecutivo de déficit global, deixando o mercado extremamente vulnerável a qualquer nova perda de produção.

Agora, segundo o executivo, a cadeia parte de uma posição mais confortável, com expectativa de forte superávit e estoques mais abundantes entrando no novo ano-safra.

“Em 2023/2024, o El Niño coincidiu com a principal safra e marcou o terceiro ano consecutivo de déficit. Em contraste, hoje estamos partindo de uma posição de forte superávit, com abundantes estoques de cacau entrando no novo ano-safra”, afirmou Vanneste.

A avaliação sugere que, embora um El Niño intenso continue representando risco relevante para a produção, o mercado teria atualmente uma margem maior para absorver eventuais perdas. Esse cenário contrasta com a crise anterior, quando estoques reduzidos, déficits sucessivos e problemas produtivos na África Ocidental criaram uma combinação explosiva para os preços.

A Barry Callebaut também afirma ter fortalecido sua capacidade de enfrentar novas oscilações no mercado. De acordo com Vanneste, a companhia ampliou a diversificação das origens de cacau, aumentou a flexibilidade no fornecimento e aprimorou sua capacidade de misturar grãos provenientes de diferentes regiões, além de implementar medidas financeiras para reforçar a resiliência do grupo.

A estratégia é especialmente relevante para uma empresa que fornece ingredientes e produtos de chocolate para grandes companhias globais, incluindo Nestlé e Hershey, em um ambiente no qual a volatilidade da matéria-prima continua elevada.

Apesar da visão mais tranquila em relação à oferta, a recuperação da demanda permanece como um dos principais pontos de atenção. A Barry Callebaut acompanha de perto os próximos dados de moagem de cacau, um dos principais indicadores utilizados pelo mercado para medir o ritmo de consumo da indústria.

Os números mais recentes de maio mostraram avanço de 39,7% na moagem de cacau da Costa do Marfim em relação ao mesmo período do ano anterior. O país, maior produtor mundial da commodity, também ocupa posição de destaque no processamento global e disputa com a Holanda a liderança entre os grandes centros de moagem.

Para Vanneste, a expectativa é de melhora, mas a recuperação do consumo não deverá ocorrer de forma imediata.

“A expectativa é que aumente, mas a demanda vai levar tempo para se recuperar. Então isso é algo para ficar de olho”, afirmou.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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