Chuvas diminuem na Costa do Marfim, mas falta de sol ainda preocupa produtores de cacau

As chuvas perderam intensidade nas principais regiões produtoras de cacau da Costa do Marfim na última semana, favorecendo a redução da umidade excessiva do solo após o período de precipitações intensas registrado no fim de junho. Apesar da melhora nas condições de campo, produtores afirmam que a principal preocupação agora é a escassez de períodos prolongados de sol, fundamentais para o bom desenvolvimento da safra principal 2026/27.

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, atravessa atualmente sua estação chuvosa, que normalmente se estende de abril até meados de novembro. O excesso de chuvas registrado nas últimas semanas provocou encharcamento em diversas áreas produtoras, elevando o risco de doenças fúngicas e dificultando os trabalhos nas lavouras.

Segundo agricultores, a redução das precipitações ajudou a melhorar as condições do solo, mas o céu permanece predominantemente nublado em grande parte das regiões produtoras. A combinação entre alta umidade e baixa incidência de radiação solar pode comprometer o florescimento e o desenvolvimento dos frutos, etapa decisiva para o potencial produtivo da próxima safra.

Em importantes polos produtores como Soubre, Agboville, Divo, Abengourou, Daloa, Bongouanou e Yamoussoukro, os volumes de chuva ficaram abaixo da média histórica da última semana. Mesmo assim, os produtores destacam que as árvores ainda necessitam de uma combinação equilibrada entre chuvas e dias ensolarados durante o mês de julho para garantir boa fixação das flores e formação das chamadas cherelles, os pequenos frutos que darão origem às amêndoas de cacau.

Outro fator que passou a preocupar os agricultores foi a chegada de ventos frios em algumas regiões desde a última sexta-feira. Segundo relatos de campo, as temperaturas mais baixas e a ausência de sol podem desacelerar o crescimento das flores e reduzir o pegamento dos frutos, afetando o potencial produtivo da safra principal.

Os produtores afirmam que ainda é cedo para estimar o tamanho da colheita 2026/27. A expectativa é de que uma avaliação mais precisa seja possível apenas no fim de agosto, quando será possível medir a sobrevivência das flores e a quantidade de frutos efetivamente formados nas árvores.

O cenário climático segue sendo acompanhado de perto pelo mercado internacional. Após a forte valorização registrada nas últimas semanas, impulsionada pelas preocupações com a oferta global e pela possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño, a evolução das condições climáticas na África Ocidental continuará sendo um dos principais fatores para a formação dos preços do cacau nos próximos meses.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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