Moagens surpreendem na Ásia, mas Europa confirma fraqueza da demanda por cacau

Os resultados das moagens de cacau do segundo trimestre de 2026 reforçam um cenário que o Mercado do Cacau vem destacando nas últimas semanas: a demanda global continua bastante heterogênea. Enquanto a Ásia voltou a apresentar forte expansão no processamento de amêndoas, a Europa confirmou mais um trimestre de retração, evidenciando que o consumo nas economias tradicionais permanece pressionado pelos elevados preços do chocolate.

Na Europa, as indústrias processaram 316.366 toneladas entre abril e junho, uma queda de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o volume foi de 331.762 toneladas. No acumulado do ano, as moagens somam 642.261 toneladas, contra 683.284 toneladas no primeiro semestre do ano passado, representando retração de 6,3%.

Embora o resultado europeu tenha ficado ligeiramente melhor do que parte do mercado esperava, ele confirma uma tendência preocupante. Este é mais um trimestre consecutivo de volumes inferiores aos registrados nos últimos anos, mantendo o processamento europeu nos menores níveis da última década para um primeiro semestre.

O contraste com a Ásia foi significativo. As moagens na região cresceram acima de 10% na comparação anual, demonstrando que a demanda asiática continua mais resiliente e sustentando parte do consumo mundial de derivados de cacau. Na América do Norte, o processamento apresentou uma leve expansão, em linha com as expectativas do mercado.

Os números ajudam a explicar parte do comportamento recente das bolsas. Nas últimas semanas, os contratos futuros em Nova York registraram forte valorização impulsionada pelas preocupações climáticas na África Ocidental, pelos riscos associados ao fortalecimento do El Niño e pela intensa movimentação especulativa dos fundos de investimento. Entretanto, do ponto de vista dos fundamentos da demanda, os indicadores continuam relativamente fracos.

Esse descompasso entre preços e consumo permanece sendo um dos principais fatores de atenção para o mercado. A indústria continua trabalhando com margens pressionadas, os preços elevados do chocolate seguem limitando o consumo em diversos mercados e muitas empresas continuam reduzindo o uso de cacau em suas formulações ou repassando os custos ao consumidor final.

No lado da oferta, apesar das preocupações crescentes com a próxima safra da Costa do Marfim e dos riscos climáticos para 2026/27, o mercado ainda convive com estoques globais mais confortáveis do que aqueles observados durante a crise de oferta de 2024. Isso reduz, ao menos por enquanto, a urgência da indústria em recompor posições.

Fonte: mercadodocacau

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