Em um ano que parece ser um desastre para as commodities, do petróleo ao café, o cacau está se destacando e as empresas estão percebendo.
A United Cacao Ltd. e a KKO International SA estão entre as que investem em plantações já que a escassez da produção impulsiona os preços. A United Cacao, uma produtora peruana, está se expandindo no país com o plantio de 3.250 hectares (8.030 acres). A KKO, que começou a cotizar na Bolsa de Bruxelas no mês passado, está trabalhando em fazendas, abrangendo 3.500 hectares na Costa do Marfim, o maior fornecedor do mundo.
Enquanto a indústria tem sido historicamente dominada por milhões de pequenos agricultores na África, algumas empresas estão querendo industrializar a produção do cacau depois que os preços dispararam quase 50 por cento desde 2012 e do aumento da demanda da classe média da Ásia por mais chocolate. O padrão climático El Niño está pressionando os preços ainda mais, ameaçando reduzir a produção do Equador à Indonésia, assim como a maioria das matérias-primas, como o óleo cru, caíram pela oferta excedente.
"Todas as mercadorias subiram de 2000 até 2008 e agora estão, basicamente, de volta aos patamares de 15 anos atrás, com exceção do cacau", disse Dennis Melka, CEO da United Cacao. "É realmente por causa da falta de investimento na produção."
O Cacau aumentou até 15 por cento em 2015 e é negociado a US $ 3,359 a tonelada em Nova York na segunda-feira, sendo o preço mais alto em mais de um ano. Entre as 24 matérias-primas acompanhadas pelo índice S&P GSCI, nenhuma teve um desempenho melhor que o cacau este ano.
Escassez de mercado
A produção ficará abaixo da demanda por 150.000 toneladas na temporada que começou no mês passado, de acordo com a Olam International Ltd., a terceira maior processadora de semente do mundo. A Organização Internacional do Cacau estima que o déficit da temporada anterior foi de 15.000 toneladas.
A United Cacao planeja produzir 10.000 toneladas no Peru anualmente tendo seu pico em 2021-22, afirmou Melka. A KKO, que também comercializa em Paris, tem como meta 15.000 toneladas em 2022, segundo a empresa.
Há algumas empresas que processam sementes de cacau e cerca de 4 milhões a 6 milhões de pequenos agricultores, no máximo, organizados em cooperativas, disse Benoit Villers, da diretoria da KKO e antigo executivo da fabricante de chocolates Barry Callebaut.
As grandes empresas ainda estão cautelosas quanto a investir no setor, em parte porque as plantações de cacau demoram muito tempo para se desenvolver e são propensas a doenças, disse por telefone Yingheng Chen, analista da Hardman Co., com sede em Londres. Cerca de 40 por cento de todo o cacau produzido anualmente é perdido para pragas e doenças, de acordo com a ICCO.
Surto de Ébola
Também existem os riscos de fazer negócios em países como Serra Leoa, onde a Agriterra Ltd. precisou reconsiderar seus 3.200 hectares de plantações de cacau, depois do surto de ebola no ano passado.
A United Cacao está investindo em plantações no Peru porque o clima é bom para o cultivo de cacau, há terras vitalícias disponíveis e o país tem impostos e política fiscal estáveis, afirmou Melka. Ele afirmou que o Peru é o produtor com menor custo. A empresa também está aumentando o financiamento para os produtores locais plantarem cacau em outros 3.250 hectares até 2020, para depois comprar deles.
A Costa do Marfim é uma aposta atraente para a KKO porque os agricultores estão conseguindo mais para o cultivo sob um sistema de governo que estabelece um preço com base nas vendas futuras. O sistema, iniciado em 2012, viu um aumento de preços anual. O país vende até 80 por cento da produção antes mesmo de ser colhida.
As fazendas de cacau na África Ocidental, que são responsáveis por cerca de 70 por cento da produção global, foram ameaçadas por retornos maiores em outras plantações, como óleo de palma e borracha. Na Ásia, grandes plantações ao estilo corporativo, especialmente na Malásia, desapareceram na década de 1980 devido à concorrência com o óleo de palma.
"Historicamente, este foi um negócio de tipo corporativo", afirmou Melka referindo-se às plantações de cacau na Ásia. "O capital corporativo saiu e foi dominado por pequenos agricultores, agora predominantemente na África." O capital corporativo está "voltando porque os retornos existem para justificar esse investimento", afirmou ele.


