A queda na produção de cacau no Brasil e no mundo estimulou a alta nos preços da amêndoa e pressionou custos das indústrias, mas, para fabricantes brasileiros de chocolate, não há risco de falta de matéria-prima.
A avaliação é do vice-presidente de chocolate da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Ubiracy Fonseca.
“A produção brasileira de cacau é suficiente para abastecer as indústrias locais. Além disso, o consumo no país está menor, por isso o Brasil não deve sofrer uma falta de chocolate por causa da oferta mais escassa no mercado internacional”, disse Fonseca.
O Rabobank estima para a safra mundial de 2015/16 um déficit na produção de 150 mil toneladas de cacau, com problemas climáticos afetando a produção na Costa do Marfim e em Gana. Juntos os dois países respondem por 70% da produção de cacau no mundo. O Brasil produziu 229 mil toneladas de cacau, na safra 2014/15. Para a safra atual, a expetativa é de uma produção em torno de 210 mil toneladas. “A produção no Brasil é suficiente para atender as indústrias locais”, disse Fonseca.
De acordo com a Abicab, no acumulado de janeiro a setembro de 2015, a fabricação de chocolate somou 347 mil toneladas, o que representou uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2014. O consumo no país caiu 8,1%, para 349 mil toneladas. As exportações tiveram queda de 18,4%, para 18,7 mil toneladas e as importações cresceram 21,9%, para 20,5 mil toneladas.
Essas importações, segundo a Abicab, são importações de chocolates pré-preparados, importados por fabricantes como Barry-Callebaut, Cargill e Nestlé, para produção de linhas especiais.
O maior problema que as indústrias enfrentam, segundo a Abicab, é a alta nos preços do cacau, por conta da valorização do dólar frente ao real. O preço da arroba do cacau vendido em Ilhéus e Itabuna (BA) para as indústrias está em R$ 144, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau, 32% acima do preço cobrado há um ano atrás, de R$ 109 a arroba.
A entidade considera que a alta nos preços do cacau devem desestimular importações da matéria-prima neste ano.
Fonseca disse que a Abicab ainda não tem números auditados do ano fechado de 2015, mas estima que a produção do setor tenha fechado no país com queda próxima de 7% a 8%, com uma pequena melhora da produção nos últimos meses do ano para atender à demanda da Páscoa antecipada em 2016. A partir de abril, segundo o executivo, o setor volta à normalidade. “Acredito que o desempenho das empresas na Páscoa deste ano será similar ao de 2015. Para o ano todo, não há previsão de forte queda, mas também não se espera uma recuperação sobre o ano passado”, disse, sem citar números.
Fonseca participou do Salão de Páscoa, realizado hoje pela Abicab para apresentação de novos produtos das indústrias de chocolates para este ano. Fonte: Valor


