A produção de cacau de Gana pode ser menor do que o previsto, devido ao terceiro trimestre seo o mais seco em 35 anos e ameaça a safra, causando danos aos produtores, de acordo com a Olam International Ltda., que se tornou a terceira maior processadora mundial de cacau após a compra de uma unidade da ADM.
Visto como principal cultura da nação, a safra de cacau, poderá ficar aquém das previsões da Olam de 750.000 toneladas, se o clima seco se apresentasse mais ameno, diante dos números da última safra, disse Amit Suri, chefe de operações da unidade de cacau da empresa. Gana perdeu a meta de produção na última temporada. Segundo Amit, tal fato se deu também por culpa do governo em retardar os benefícios de distribuição de fertilizantes e pesticidas, para que fossem aplicados nas lavouras.
Os Negócios Futuros de cacau, negociados em Nova York subiram 9% este ano, devido a safra dos países situados no oeste Africano ter ficado aquém das previsões e do fenômeno climático El Nino que ameaça a produção e cria expectativas de uma queda mundial. Os grãos utilizados para fazer chocolate, destacaram-se como o mais rentável deste ano, segundo a Standard & Poor, índice GSCI dentre 24 matérias-primas.
"Se o El Nino é expressivo, os números serão ainda mais baixos em todas as áreas de cultivo do cacau", disse Suri em uma entrevista em Londres quarta-feira, afirmando que as previsões da Olam seriam inalteradas desde o ano passado, porém mudou de opinião. "Enquanto em outubro foram observadas melhores precipitações em Gana, tal fato poderá trazer melhores esperanças, podendo haver chance de um cenário positivo nas pequenas colheitas, próxima do final da safra."
El Nino
As chuvas que caíram em Gana na primeira quinzena de outubro, foram mais do que o total dos últimos dois meses, disse Speedwell Tempo, em outubro/15. O fenômeno El Nino geralmente reduz a produção global em média 2,4%, sendo o Equador o país mais afetado, de acordo com um estudo da Organização Internacional do Cacau, situada em Londres. Na África Ocidental, as mudanças climáticas do tempo poderão sinalizar uma queda na produção em cerca de 2% na Costa do Marfim e de 1,7% em Gana.
A demanda de mundial de cacau irá ultrapassar os estoques de 150.000 toneladas na temporada 2015/16, que começou este mês com a retração no processamento de amêndoas, estima a Olam. Isso se compara a uma previsão da ICCO, estimada em um déficit de 96.000 toneladas. Isso confirma as estimativas que variam de um excedente de 92.000 toneladas para um déficit de 297.000 toneladas em uma pesquisa da Bloomberg publicada no mês passado.
"Este número poderia crescer muito rapidamente caso sejam confirmadas redução nas colheitas da safra corrente", disse Suri.
A Costa do Marfim configura-se como o maior produtor mundial, deverá produzir cerca de 1,65 milhões toneladas, abaixo de 1,8 milhões de toneladas na temporada passada, segundo estima a Olam. A colheita pode ser ainda menor, dependendo, disse Suri. O tempo seco também na Indonésia e excesso de umidade, devido a fortes chuvas no Equador causada pelo El Nino poderá reduzir ainda mais os números da produção mundial.
O processamento global de amêndoas, deverá se recuperar em torno de 2%, mesmo tendo o nível de consumo de produtos de chocolate permanecendo inalterada no ano passado, disse Suri. As moagens caíram 4% na última temporada, devido a redução do consumo de fabricantes de chocolate por derivados de cacau, disse ele. Olam hoje esta dentre as maiores moageiras do mundo, depois da Barry Callebaut AG e Cargill Inc., afirma Gerry Manley, diretor da empresa, na mesma entrevista.
"Precisamos manter as moagens", disse Suri. "Nós não acreditamos que o consumo se retrai porque as pessoas estão comprando menos, mas porque os fabricantes de chocolate estão melhor gerindo os custos, utilizando menos derivados de cacau nos produtos", concluiu. Com informações da Bloomberg


