Alessandro Bottmann, do CRM: sucesso da migração foi o conjunto, cada parte assumiu a sua responsabilidade
Com que nuvem eu vou? A pergunta é constante no mercado brasileiro, tanto para pequenas como para grandes empresas que querem ingressar no inevitável universo cloud ou mudar de fornecedor. Para alguns executivos dos principais players do país, a migração de uma empresa já atuante na nuvem é mais simples e rápida do que das empresas novatas. E a flexibilidade de contratos é bem maior graças às tendências de gestão híbrida e multiclouds, que uniram os fornecedores. Tanto os custos de migração como das multas não são altos a ponto de inibir mudanças – às vezes são retirados integralmente em uma boa negociação.
A certeza de migração rápida e bem-sucedida depende principalmente de um bom planejamento e, principalmente, de entrosamento entre as equipes técnicas do provedor e do cliente. Um bom exemplo foi a migração do Grupo CRM, realizada em maio de 2014, para os serviços da provedora Ascenty. “A base do sucesso da migração foi o conjunto porque eles (Ascenty) entenderam o que a gente precisava e cada parte assumiu sua responsabilidade”, contou Alessandro Bottmann, gerente de TI do grupo, que detém as marcas brasileiras de chocolate Kopenhagen e Chocolate Brasil e representa a suíça Lindt.
O motivo da troca de nuvem foi a má qualidade de serviço do ex-fornecedor, que não conseguia manter estável o sistema que compreende 2.500 contas de e-mails e uma plataforma B2B de 900 lojas franqueadas. “Não foi paga nenhuma multa para o cancelamento porque foi um distrato por justa causa”, acrescentou. O planejamento demorou dois meses, mas a transição foi feita em um fim de semana. “Os usuários nem perceberam no dia seguinte”, disse.
Marcos Siqueira, diretor de serviços gerenciados da Ascenty, afirmou que o número de clientes em busca de migração tem aumentado e os motivos são diversos como, por exemplo, a dispensa de um player sem datacenter no país e que cobra o serviço em dólar. “Tem a questão de latência. Para consultar uma informação hospedada em Miami, há uma latência próxima de 80 milissegundos (ms), via internet, enquanto o processamento no Brasil leva 3 milissegundos – uma diferença crucial”, acrescentou. Atualmente, a Ascenty possui quatro datacenters em operação no país.
Outros fatores que facilitam a migração e garantem a nuvem ideal para aplicações das empresas são as tendências de gestão híbrida e da nova multicloud. “Há um crescimento mais acelerado desses modelos que facilitam a migração e customizam diferentes aplicações”, explicou Victor Arnaud, diretor de estratégia corporativa da Equinix, que oferece um um leque de nuvem públicas na solução cloud exchange. O executivo cita o case de migração da Movile, conhecida por desenvolver os aplicativos iFood e PlayKids.
Para aumentar o desempenho oferecido pelo antigo fornecedor, foi criada uma conexão dedicada, por meio de fibra, de um ambiente privado da Equinix com o datacenter da pública Amazon (AWS). O serviço teve migração em uma semana e o cliente já reduziu em 70% a latência – de 12 ms para 5 ms. “A solução de conexão direta nos permitiu otimizar a performance e oferecer desempenho mais consistente”, avaliou Flavio Tooru, gerente de infraestrutura da Movile.
“O conceito multicloud não aumenta o custo de migração; pelo contrário, podemos ver a aplicação mais adequada ao cliente e otimizar mais ainda o serviço”, disse Gil Torquato, CEO da Uoldiveo, que divulgará seu modelo na próxima quinta, durante o Multicloud Summit, em São Paulo. “Neste modelo, conseguimos trabalhar da mesma forma de migração tanto com o pequeno como com o grande”, completou Marcos Peigo, COO da empresa, acrescentando que a transição pode sair até de graça se o cliente já tiver solução hosting do mesmo player.
Maurício Cascão, CEO da Mandic Cloud Solutions, estimou que a migração pode custar de R$ 2 mil a R$ 20 mil. “Existem ambientes grandes com migrações simples e ambientes cloud com infraestrutura menor, com maior complexidade.” Um dos clientes mais recentes que migraram para a Mandic foi a Fadel Transportes. “Antes, o processamento de faturamento para um período de cinco dias levava cinco horas. Hoje é possível, nas mesmas cinco horas, processar 30 dias”, diz Leonardo Ferreira, coordenador de TI da empresa. Fonte: Valor


