Experimento demonstra que Cacau é uma opção viável para produtores no semiárido cearense

Plantar cacau pode se tornar uma opção economicamente viável para produtores do Tabuleiro de Russas, região do semiárido cearense. É o que demonstra os trabalhos de pesquisas realizados pela Comissão Executiva do plano da Lavoura Cacaueira-CEPLAC/Mapa, na área experimental instalada no Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas no Ceará, pela UNIVALE-União dos Agronegócios no Vale Jaguaribe.

No sentido de viabilizar a continuidade desse acordo de cooperação técnica e conhecer os processos da cadeia produtiva do cacau, comitiva composta de agricultores, dirigentes da UNIVALE e técnicos das entidades parceiras (SEBRAE-CE e Fazenda Frutacor), em visita a região cacaueira, reuniu no último dia 15, na sede regional da CEPLAC com o superintendente interino, Adonias de Castro, o coordenador de Pesquisas, José Marques Pereira, a Gerente da Seção de Agroindustrialização e Engenharia Agrícola do Centro de Pesquisas da CEPLAC, Neyde Alice Marques, além dos pesquisadores responsáveis pelo experimento, Paulo Cesar Lima Marrocos e George Andrade Sodré.

Segundo João Teixeira, Presidente da UNIVALE-União dos Agronegócios no Vale Jaguaribe/CEARÁ, os resultados estão sendo alcançados. “Estamos muito felizes com os trabalhos desenvolvidos e resolvemos fazer essa visita para ampliar esse convênio, principalmente na parte de pós-colheita e industrial para que nós tenhamos resultados dessa matéria prima”.

“Foram três dias de visitas bastante proveitosos, pois tecnologia e o conhecimento sobre cacau estão aqui na CEPLAC e ainda vimos de perto os agentes que compõem toda a cadeia produtiva do cacau: produtores e indústrias chocolateiras de pequeno, médio e grande porte”, destacou Teixeira, responsável pela comitiva.

Outro integrante da comitiva, Raimundo Reginaldo Braga Lobo, Assessor do SEBRAE em Fortaleza, avaliou a visita à região cacaueira: “Ela fortalece o pensamento que o estado do Ceará tem de levar um conjunto de oportunidades na área do agronegócio para produtores que queiram investir em outras culturas como é o caso do cacau. Além de comprovar o entendimento que nos tínhamos sobre a CEPLAC, uma referência na pesquisa de cacau, com seus técnicos talentosos e sempre disponíveis, exatamente o que estamos precisando em nosso Estado”.

Segundo Adonias de Castro, a CEPLAC incentiva e apoia os trabalhos de pesquisas no experimento desde sua implantação, por entender que esses resultados podem ser aplicados na região do semiárido baiano e como algo positivo a possibilidade de expansão da cacauicultura para áreas não tradicionais, gerando divisas para o País, seja pela diminuição da importação ou, até mesmo, contribuindo para o Brasil retornar ao papel de exportador de cacau.

Integravam a comitiva também: Diógenes Henrique Abrantes (UNIVALE/Russas-CE); João Filho (Empresa Frutacor); Paulo Roberto Coelho Lopes (Embrapa Petrolina/Semiárido) e Paulo Jorge Mendes Leitão (Gerente de Agronegócios do SEBRAE em Fortaleza).

Início da Unidade Piloto – Os trabalhos de pesquisas com cacau, no Ceará, foram iniciados pela CEPLAC em meados de 2009, com a implantação pelos pesquisadores Paulo Cesar Lima Marrocos e George Andrade Sodré, da área experimental de cacaueiros, com sombreamento provisório de bananeiras e definitivo com cajazeiras, realizada em lote da Fazenda Frutacor, na região compreendida entre Russas e Tabuleiro do Norte.

O objetivo era avaliação do cacaueiro em ambiente semiárido, como parte do programa coordenado pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará-ADECE, para identificação e avaliação de alternativas agrícolas para o interior do Ceará.

Marrocos explicou sobre a implantação do projeto: “Começamos uma unidade piloto para testar 11 cultivares de cacau no Tabuleiro de Russas-CE. Já temos resultados ao longo desse tempo e sabemos que é possível plantar naquele ambiente e quais as variedades que já foram pré-selecionadas pra um plantio pré-comercial. O objetivo maior nesse momento é exatamente o pós-colheita, inicialmente com intenção de proporcionar a Fazenda Frutacor de infraestrutura adequada para o beneficiamento do cacau e, posteriormente, melhorar a qualidade do cacau para que isso possa ser o diferencial em relação a outras regiões”.

Ele alertou para os gargalos técnicos e a questão hídrica que precisam ser trabalhados antes de se pensar em ampliação de área. “Superada essa fase, temos o novo desafio de começar a plantar áreas comerciais. Daí a importância da vinda desse grupo em busca de mais informações visando aprimorar cada vez mais essa cadeia produtiva do cacau”.

De acordo com o pesquisador George Sodré, até o estágio atual, muitas informações sobre comportamento do cacaueiro irrigado no semiárido cearense já foram obtidas, o que nos assegura que é possível cultivar cacau em solo cearense, desde que sejam utilizados meios adequados, como o acompanhamento de um técnico conhecedor da cultura e os insumos corretos. Fonte: Ceplac 

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