Com selo de origem, valorização do cacau baiano pode chegar a 70%

O cacau da Bahia, estado que lidera a produção da amêndoa no Brasil, a partir de agora terá um selo de origem que reconhece a sua indicação geográfica e servirá para agregar mais valor ao produto tanto no Brasil quanto no mercado externo.
O registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), foi publicado na edição do dia 24 de abril da Revista de Propriedade Industrial (RPI) nº 2468, do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), autarquia federal.
A área geográfica beneficiada com a IG abrange um cultivo estimado 61.460 km², em 83 municípios e seis territórios regionais: Baixo Sul, Médio Rio de Contas, Médio Sudoeste da Bahia, Litoral Sul, Costa do Descobrimento e Extremo Sul.
O pedido pelo reconhecimento foi feito pela Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia (APC), que liderou um movimento em prol da cultura, formado por representantes do setor produtivo e Governo do Estado.
A busca pelo selo foi iniciada em 2014, mas as discussões sobre assunto começaram há mais de 10 anos. A indicação geográfica oferece a garantia de origem do cacau do sul da Bahia e traz agregação de valor, ao posicionar o produto como único.
A Bahia já possui o mesmo reconhecimento para as uvas de mesa e manga do Vale do Submédio São Francisco e para a cachaça de Abaíra, na Chapada Diamantina, as quais conquistaram o título em 2009 e 2014, respectivamente.
Na safra 2016/2017, a safra de cacau na Bahia foi de 104.820 toneladas de cacau, ante as 145.630 toneladas de 2015/2016, segundo informações da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).
A produção de cacau na Bahia, cujo setor gera 80 mil empregos diretos e indiretos, responde por 54% da produção nacional, de 274 mil toneladas em 2017 (estimativa), 28% a mais que 2016, ano em que os produtores de cacau faturaram R$ 1,2 bilhão.
Ainda não há estimativa oficial de em quantos por cento o cacau deva ficar valorizado, mas produtores falam em 70%.

Conquista
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, afirmou que “essa é uma conquista dos produtores rurais, que vêm se preparando, buscando conhecimento e investindo fortemente em tecnologia”.
“Eles saem da condição de produtores de commodities apenas, para atender a essa demanda do mercado, por produtos diferenciados. Eles se reergueram e não permitiram que o cacau da Bahia perdesse sua força, mesmo depois de passar por momentos de extrema dificuldade”, declarou.
Cristiano Santana, presidente da APC, avalia que o selo oferece agregação de valor ao cacau, tanto em termos de qualidade do produto como de valorização da região como um todo.
“A IG garante uma maior organização à cadeia produtiva, porque os produtores passam a trabalhar em cooperação; valoriza o potencial turístico da região, toda a tradição sociocultural e histórica local, que está ligada ao cacau”, disse.
Santana observa que “o mercado consumidor está cada vez mais exigente e quer um produto diferenciado, que siga as normas ambientais e tenha história, qualidade superior e originalidade comprovada, principalmente os compradores do cacau destinado à produção de chocolate, o chamado ‘cacau fino’.”
Segundo ele, “tem empresas pagando 70% mais caro que o normal, para adquirir produto com esses requisitos”.
Para o analista de mercado e especialista na commodity cacau, Thomas Hartmann, a indicação geográfica é importante para os fabricantes de chocolate, mas o que a Bahia precisa mesmo é melhorar a produção, já que as empresas ainda tem de recorrer ao cacau africano para atender à demanda por chocolate.
Segundo a TechNavio, uma empresa de pesquisa de mercado, as importações de cacau no Brasil devem crescer em volume, 2,4% ao ano, até 2019. O consumo mundial de cacau é de 4,2 milhões de toneladas.
Fonte: Correio

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