Esse mês, por duas vezes em que passei frente às indústrias moageiras de cacau em Ilhéus, no período noturno, as chaminés de todas elas cuspiam fumaça e a fila de caminhões era muito grande; sempre mais de 80 veículos lotados de cacau esperavam por sua vez para descarregar ou não, dependendo dos cumprimentos das exigências que nunca foram dessa forma assim tão severas; nada de fumaça, nada de umidade, ou, de outra forma, muitos caminhões além de perderem muito tempo na fila, dias e dias, alguns voltam ao seu destino de origem sem descarregar, causando um contratempo e um prejuízo grande para os compradores intermediários, caminhoneiros e consequentemente maior prejuízo para os produtores, pois como diz o dito popular", a corda sempre quebra no lado mais fraco".
O cacauicultor tem que achar um meio legal para fiscalizar o cacau que esta entrando nas indústrias e o que esta saindo industrializado para os fabricantes de chocolate e achocolatados; as regras do tal drawback devem ser revistas e bem fiscalizadas, pois, pode estar aí o descontrole que esta causando toda essa descompostura no mercado interno de cacau. O produtor não tem conhecimento do que se passa dentro das indústrias e, tem que admitir a sua mea-culpa, deve aprender que o cacau da porteira da fazenda para fora ainda precisa do seu acompanhamento, até chegar na barriga do consumidor e porque não dizer na digestão do consumidor, pois, já vimos cacau chegar de fora com besouros exóticos que se reproduzem nas amêndoas secas e até com defunto em decomposição, em cima da carga de cacau; temos que ser vigilantes pois, como disse o Pequeno Príncipe", tu te torna eternamente responsável por tudo aquilo que cativas". No nosso caso de agricultor então, "que cultivas".
Não é justo que o cacauicultor brasileiro após tanto sofrimento, logo quando o preço da @ começa a tomar um pouquinho de folego, ele venha deparar-se com essa "nova praga" que é esse deságio desenfreado, a falta de interesse de compra, colocando em risco o que o cacau sempre teve de melhor, que é a sua liquidez de mercado. Muitos alegam que existe queda no consumo devido a economia mundial e, no Brasil, culpam especialmente à nossa economia "Dilmadiana", que contribui sobremaneira para baixar os preços só do cacau (deságio), mas, se o aumento do preço na bolsa existe, baseado na lei da oferta e da procura, isso já elimina a primeira suposição e, se cacau é um produto consumido principalmente por uma classe mais favorecida economicamente, também não acredito que a economia brasileira afete o consumo a tal ponto, mesmo porque, estão importando cacau de fora.
Uma coisa interessante acontece no meio dessa "tempestade" e até poderemos tirar proveito, não fosse feito "a ferro e a fogo", é a qualidade do produto, que, aproveitando e excesso de cacau nas indústrias, exportadores e compradores iniciaram um programa forçado de qualidade do produto, obrigando ao produtor fazer um cacau sem umidade e sem fumaça; o que pode levar o nosso cacau a ter o reconhecimento do passado, como melhor cacau do mundo, o cacau Bahia Superior, tão desejado no mercado do chocolate mundo afora. É uma pena que exigem qualidade, mas não nos dão condições de nos preparar para isso, pois, nossas instalações devido a tudo de ruim que aconteceu e acontece no cacau, principalmente pela introdução criminosa da doença vassoura de bruxa e o desleixo do Governo para com a cacauicultura, nossas instalações encontram-se obsoletas, não por descuido do cacauicultor, mas, pela situação de desprezo governamental, em que se encontram as fazendas de cacau, sem recursos para cuidar do cacaual e das suas instalações.
Espero que o cacauicultor se organize e passe a tomar conta melhor do seu produto, desde o plantio na roça até chegar ao consumidor final; para isso, as associações e as instituições do cacau tem que buscar as soluções em conjunto, conversando na mesma linguagem, uma construção em comum, buscando a mesma direção para o fortalecimento da classe, mas sem que seja usada a linguagem da "torre de Babel".
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