Como a Nestlé atua para dar sustentabilidade à cadeia do cacau

A indústria de chocolates no Brasil enfrenta novos desafios em um cenário de crescimento acelerado pós-pandemia. Nesse contexto, a Nestlé Brasil está se destacando com iniciativas inovadoras e comprometidas com a sustentabilidade. Mariana Marcussi, head de Marketing de Chocolates da empresa, compartilha os esforços e avanços alcançados durante o evento digital WarmUp FiSA. 

A executiva vai aprofundar o debate sobre a indústria de chocolates e sustentabilidade durante o Summit Future of Nutrition, congresso científico da Food ingredients South America –  FiSA. Mariana integrará o painel “Dá para salvar o mundo com chocolate? Como conquistar mercado para produtos premium, mantendo a floresta em pé”, que será realizado no segundo dia de evento, 9 de agosto. 

Missão

Segundo Mariana, a missão da operação de chocolates da Nestlé Brasil, uma das maiores unidades de negócio da empresa no país, é transformar o Brasil em um país autossuficiente na produção de cacau. “Hoje, o Brasil ainda depende um pouco de importação e a categoria de chocolate cresce duplo dígito, principalmente pós-pandemia”.  

Ela destaca que a produção é fragmentada, com mais de 90 mil propriedades espalhadas pelo país, sem uma integração como a que ocorre em outras cadeias, como de carne e leite, o que traz desafios para a cadeia de suprimentos do chocolate. 

A Nestlé, assim como os concorrentes, utiliza parceiras chamados de moageiras para as compras de cacau e não possuem contato direto com os produtores. Nesse cenário, “o desafio é conhecer melhor o dia a dia das fazendas para impactar positivamente a produtividade e garantir a sustentabilidade da produção”, diz Mariana. 

Para enfrentar esses desafios, a Nestlé Brasil tem investido fortemente no programa Cocoa Plan. Segundo Mariana, “nosso objetivo é ter 100% do nosso cacau sustentável até 2025”. Isso quer dizer cortar pela metade o tempo de adequação da cadeia em relação ao que se imaginava antes. “Para isso, a gente investiu 20 milhões, quadruplicando o investimento no último ano e pretendemos seguir nesse crescente para o ano que vem”, acrescenta. 

O programa trabalha em alguns pontos principais, como melhorar as práticas agrícolas, fornecer assistência técnica aos produtores e utilizar tecnologias para práticas regenerativas e de maior produtividade. Além disso, a empresa se preocupa com questões sociais, garantindo o acesso à educação para as crianças e monitorando aspectos trabalhistas, sociais e ambientais nas propriedades parceiras.

Engajamento com os consumidores

Mariana destaca o engajamento da Nestlé com os consumidores e a importância de comunicar os esforços em sustentabilidade. “Hoje a gente trabalha muito na comunicação via embalagens”, conta. 

Um dos destaques é o mundialmente famoso Kit-Kat, feito com cacau sustentável desde 2016, o que garantiu à Nestlé o selo Cocoa Plan de utilização de matéria-prima sustentável. Além disso, a empresa tem investido no desenvolvimento de novos produtos, como o Chocotrio, que traz mais protagonismo ao Nestlé Cocoa Plan e visa informar os consumidores sobre a origem sustentável do cacau utilizado nos chocolates.

Ação conjunta

A executiva da Nestlé diz que a busca pelo cacau sustentável no Brasil “é uma corrida de todos, e as empresas do setor, incluindo a Nestlé, trabalham juntas”. Ela destaca que, apesar dos desafios na cadeia brasileira, as práticas regenerativas estão mais avançadas em comparação com a África, referência global na produção do cacau. 

As práticas regenerativas aqui estão muito à frente das da África, por exemplo, porque apesar da falta de conhecimento sobre a operação das fazendas ser o maior gargalo hoje, à medida que a indústria conhece as propriedades rurais, ela já consegue identificar o uso dessas práticas. “O desafio é proteger a floresta e dar produtividade para que o produtor consiga ganhar mais dinheiro e romper com o ciclo vicioso, porque não adianta falar de sustentabilidade sem falar de dinheiro no bolso”, diz Mariana. 

A proposta da executiva é, através da produtividade, diluir o custo do investimento e mais do que isso, dar dinheiro ao produtor para que ele invista em tecnologia e garanta até mesmo sucessão familiar, que hoje é um problema crítico dentro das propriedades rurais produtoras de cacau, com uma debandada de jovens produtores para outros cultivos ou áreas de atividade econômica.   

“Dentro do programa, temos como compromisso trazer esperança aos filhos dos produtores para que não abandonem essa cultura. A média hoje do produtor é de 60 anos, então, a gente precisa também rejuvenescer para garantir a perpetuidade do cacau e, por consequência, do chocolate”, exorta a executiva. 

Mais informações sobre o investimento da Nestlé em produção sustentável, sobre o programa Cocoa Plan e outras questões serão exploradas durante Summit Future of Nutrition, congresso científico da FiSA, que acontece de 8 a 10 de agosto na Expo São Paulo.

Fonte:Food Connection 

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