Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional de cacau voltou a registrar forte deterioração de preços, com as cotações recuando para o menor patamar dos últimos dois anos e meio. O movimento reflete a combinação de fatores técnicos claramente desfavoráveis e o impacto crescente das notícias de enfraquecimento da demanda global, que vêm se traduzindo em recomposição dos estoques ao redor do mundo.
No pregão de ontem, o contrato maio encerrou a sessão cotado a US$ 3.891 por tonelada, acumulando uma expressiva queda diária de US$ 295. Ao longo do dia, o mercado oscilou entre a mínima de US$ 3.863 e a máxima de US$ 4.154, evidenciando elevada volatilidade e forte presença de ordens de venda. O número de negócios alcançou 25.248 contratos, com volume total negociado de 64.411 contratos, enquanto o interesse em aberto estimado avançou 814 contratos, totalizando 163.038 contratos, sinal de que novas posições vendidas seguem sendo adicionadas ao mercado.
No campo fundamental, o aumento dos estoques reforça o viés negativo. Os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE), registraram acréscimo de 23.947 sacas, elevando o volume total para 1.836.511 sacas. Esse crescimento confirma o ritmo mais lento de absorção da matéria-prima pela indústria, em linha com os recentes indicadores de moagem e consumo abaixo do esperado.
Sob a ótica técnica, os sinais seguem amplamente deteriorados. O RSI (Índice de Força Relativa) do cacau opera em torno de 28,5%, caracterizando uma condição de sobrevenda. Ainda assim, analistas alertam que, em mercados fortemente pressionados, níveis baixos de RSI podem se prolongar sem, necessariamente, provocar uma reversão imediata dos preços.
No curto prazo, as principais áreas de resistência para o contrato maio concentram-se entre US$ 4.300 e US$ 4.500 por tonelada. Já os suportes técnicos mais relevantes estão posicionados inicialmente em US$ 3.700, com um segundo nível psicológico importante próximo de US$ 3.500, patamar que pode entrar no radar caso a pressão vendedora persista.
No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em março de 2026 (27/02/2026) opera de forma estável nesta manhã, ao redor de R$ 5,20, sem oferecer, por ora, um fator adicional de alívio ou pressão significativa sobre as cotações do cacau.
O cenário atual reforça um ambiente de cautela para toda a cadeia produtiva.
Fonte: mercadodocacau


