Por: Claudemir Zafalon
O aguardado “Dia D” finalmente chegou para o mercado de cacau, mas a reação inicial foi bem mais contida do que muitos operadores esperavam: a bolsa trabalha com cerca de 60 pontos de alta, em um ambiente que segue dominado por fluxos atípicos e por uma leitura mais “técnica” do que fundamentalista no curtíssimo prazo.
A avaliação entre participantes é que a reversão observada do meio para o fim da sessão de ontem pode ter sido um sinal de realização e reposicionamento por parte de agentes que vinham apostando em fluxos associados a um evento exógeno de 5 dias, descrito por fontes do mercado como “altamente incomum”. Com isso, cresce a percepção de que o comportamento dos preços pode ficar ainda mais caótico e imprevisível entre agora e a próxima quinta-feira, quando as negociações tendem a voltar a refletir com mais clareza os fundamentos clássicos do cacau.
Volatilidade exagerada marca a sessão e mantém operadores em alerta
Na sessão anterior, o contrato março exibiu uma volatilidade acima do normal, oscilando entre US$ 5.701 e US$ 6.083 por tonelada. O fechamento ocorreu em US$ 5.915/ton, com queda de US$ 39 no dia.
O volume também veio robusto: foram 18.487 negócios no março e 36.643 contratos no total. Já o interesse em aberto estimado subiu 1.085 contratos, alcançando 128.356, um sinal de que houve entrada líquida de posições mesmo com o recuo no fechamento, combinação que costuma reforçar o “ruído” direcional no curto prazo.
Do lado de oferta imediata nos EUA, os estoques certificados ICE registraram alta de 5.697 sacas, chegando a 1.643.715 sacas. Embora a variação diária não defina tendência sozinha, o movimento adiciona um componente a mais para a leitura de curto prazo, especialmente em sessões já influenciadas por fluxos externos.
No posicionamento, a última atualização do CFTC (período 23 a 30 de dezembro) indicou que os fundos compraram (reduziram vendidos) 1.556 contratos, mas ainda encerraram a semana com posição líquida vendida de 3.619 contratos, ou seja, o mercado segue com “lenha” para novas recompras, caso o fluxo e o técnico acelerem.
Técnico segue neutro: RSI em 51% e dólar estável
No campo técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do março, com o preço em US$ 5.970, está em 51%, zona considerada neutra, sugerindo um mercado sem sobrecompra/sobrevenda clara ,o que combina com o cenário de volatilidade alimentada por fluxo e não por convicção.
No câmbio, o dólar futuro (30/01/2026) opera estável em R$ 5,425, sem impor, por enquanto, um vetor adicional relevante ao humor do mercado doméstico.
Divulgação das moagens do 4T pode recolocar a demanda no centro do debate
O próximo grande gatilho de fundamentos já tem data marcada. As moagens do 4º trimestre/2025 serão divulgadas em:
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Europa: 15/01, às 04:28 (Brasília)
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América do Norte: 15/01, às 18:00 (Brasília)
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Ásia: 16/01, às 05:00 (Brasília)
Esses números tendem a ser decisivos para calibrar o mercado sobre o ritmo real da demanda por processamento, especialmente em um ambiente em que preço e volatilidade vêm impondo cautela ao setor.
Além do “evento de fluxo” que domina as telas, o mercado também monitora indicadores dos EUA nesta sessão: novos pedidos de auxílio-desemprego, déficit da balança comercial de outubro e produtividade do 3º trimestre. Dependendo do tom dos dados, pode haver impacto no dólar global e no apetite a risco, efeitos indiretos, mas relevantes em dias de liquidez e sensibilidade elevadas.
Fonte: mercadodocacau


