A cobertura de posições vendidas, motivada pela necessidade de aliviar a condição técnica de sobrevendido, trouxe um tom mais positivo aos preços do cacau na manhã desta sessão. O movimento ocorre após uma sequência intensa de liquidação e reflete, sobretudo, ajustes técnicos por parte dos fundos, sem que haja, até o momento, uma mudança clara nos fundamentos estruturais do mercado.
Ao longo do último mês, o preço do cacau chegou a recuar cerca de 32%, acumulando uma expressiva queda de 63,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, as cotações passaram a operar nos níveis mais baixos desde janeiro de 2024, evidenciando o grau de estresse enfrentado pelo mercado nas últimas semanas.
Na última sexta-feira, o contrato de cacau com vencimento em março apresentou elevada volatilidade, oscilando entre a mínima de US$ 4.054 e a máxima de US$ 4.442 por tonelada. O pregão foi encerrado a US$ 4.201/ton, com baixa diária de US$ 268. O número de negócios somou 16.220, com volume total de 43.472 contratos. O interesse em aberto avançou em 1.237 contratos, totalizando 146.350 contratos, sinalizando que, apesar da forte queda dos preços, os agentes seguem posicionados no mercado.
No campo dos fundamentos, os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos registraram leve aumento, alcançando 1.755.877 sacas, movimento que adiciona conforto à oferta disponível no curto prazo e atua como fator limitante para recuperações mais consistentes.
O relatório semanal da CFTC, divulgado na sexta-feira, apontou que, no período entre 13 e 20 de janeiro, os fundos aumentaram suas posições vendidas em 4.696 contratos, passando a deter uma posição líquida vendida de 13.594 contratos. O dado reforça a leitura de que o mercado ainda se encontra fortemente pressionado do ponto de vista especulativo, mesmo diante da reação técnica observada.
Sob a ótica técnica, o RSI (Índice de Força Relativa) do cacau encontra-se em 27%, caracterizando um estado claro de sobrevenda, o que ajuda a explicar o movimento recente de cobertura de vendidos. Ainda assim, indicadores técnicos isolados não são suficientes para sustentar uma reversão de tendência sem respaldo dos fundamentos.
Outro ponto relevante no radar dos agentes é a proximidade da liquidação física do contrato de março, que se inicia em 23 de fevereiro, fator que tende a manter elevada a volatilidade e estimular novos ajustes de posições nas próximas sessões.
No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em 30/01/2026 opera de forma estável, negociado em torno de R$ 5,29, sem exercer, por ora, influência adicional relevante sobre a formação de preços do cacau.
Fonte: mercadodocacau


