Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional de cacau iniciou a semana com um importante alívio técnico após a forte pressão vendedora observada nas últimas sessões. O movimento de liquidação de posições, típico do período que antecede o início das entregas físicas, perdeu força, permitindo uma recuperação nas cotações.
Durante os dias que antecederam o início do período de entrega, participantes sem interesse em receber o produto físico intensificaram a saída de contratos, ampliando a pressão sobre os preços. Com a conclusão desse processo e a retirada desses agentes do mercado, o fluxo vendedor diminuiu de forma relevante, abrindo espaço para um movimento de recomposição.
Embora o cenário fundamental de oferta e demanda permaneça inalterado no curto prazo, o enfraquecimento da pressão técnica trouxe maior equilíbrio entre compradores e vendedores, reduzindo a tensão imediata.
O contrato de maio encerrou o pregão de sexta-feira a US$ 3.178 por tonelada, com alta de US$ 120 no dia, após oscilar entre a mínima de US$ 3.031 e a máxima de US$ 3.226. O volume foi expressivo, com 24.300 negócios e total de 60.112 contratos negociados. O interesse em aberto registrou aumento de 2.426 contratos, alcançando 165.391, sinalizando recomposição de posições e possível entrada de novos participantes.
No primeiro dia de liquidação física, foram entregues 234 contratos. A ADM Investor Services respondeu por 204 contratos e a StoneX por 30. Entre os recebedores, destacaram-se ABN com 70 contratos, Citigroup com 97, Socgen com 60 e a própria StoneX com 7 contratos.
Enquanto isso, os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos monitorados pela ICE avançaram 23.799 sacas, totalizando 2.111.554 sacas. O aumento reforça a percepção de oferta disponível no curto prazo, fator que limita movimentos mais agressivos de recuperação.
Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do cacau está na região considerada sobrevendida, em 19%, indicando que o mercado pode estar próximo de uma correção técnica mais consistente. Esse indicador sugere que parte da recente queda pode ter sido exagerada sob a ótica técnica.
Os níveis gráficos passam a ser determinantes nas próximas sessões. A resistência mais relevante para o contrato de maio está na faixa entre US$ 3.500 e US$ 3.650. Já os principais suportes encontram-se na região de US$ 3.000 e, em caso de rompimento, na área de US$ 2.750.
No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em 27 de fevereiro de 2026 está cotado a R$ 5,18, variável que segue sendo fundamental para a formação de preços no mercado interno brasileiro.
Fonte: mercadodocacau


