Cacau reage tecnicamente, mas estoques elevados e risco nos fertilizantes limitam recuperação do mercado

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional de cacau voltou a apresentar sinais de recuperação pontual nas últimas sessões, sustentado por fatores técnicos e por novas preocupações no cenário macroeconômico global. O contrato com vencimento em maio encerrou o último pregão cotado a US$ 3.235 por tonelada, com valorização de US$ 55, após oscilar entre a mínima de US$ 3.178 e a máxima de US$ 3.250. O movimento foi acompanhado por aumento no interesse em aberto, que avançou em 2.016 contratos, totalizando 194.662 posições, enquanto o volume negociado somou 30.932 contratos em 12.060 negócios.

Apesar da reação positiva, o ambiente estrutural segue pressionado, especialmente diante da elevação dos estoques certificados nos portos dos Estados Unidos. Os dados mais recentes indicam alta de 13.061 sacas, levando o total para 2.438.743 sacas, reforçando a percepção de oferta confortável no curto prazo e limitando avanços mais consistentes nas cotações.

Do ponto de vista técnico, o mercado ainda opera em zona de fragilidade. O Índice de Força Relativa (RSI) permanece ao redor de 41%, indicando que, embora o ativo tenha se afastado das mínimas recentes, ainda não há sinal claro de reversão de tendência. As resistências seguem posicionadas nas regiões de US$ 3.500 e US$ 3.800, enquanto os suportes mais relevantes estão entre US$ 3.150 e US$ 3.000 por tonelada.

No campo fundamental, um novo vetor de risco começa a ganhar relevância. A ETG, uma das principais tradings agrícolas com atuação na África Ocidental, alertou que o conflito envolvendo o Irã pode provocar um choque nos preços de fertilizantes, com impacto direto sobre a produção agrícola na região. Culturas como cacau e algodão tendem a ser particularmente afetadas, uma vez que dependem fortemente de insumos importados para manutenção da produtividade.

Esse cenário levanta preocupações adicionais sobre os custos de produção nas principais origens globais, especialmente na África Ocidental, responsável pela maior parte da oferta mundial de cacau. A eventual elevação nos custos pode comprometer investimentos em lavouras, manejo e adubação, criando um fator de risco para a oferta no médio prazo, ainda que, no curto prazo, o mercado continue pressionado pela fraqueza da demanda e pelo elevado nível de estoques.

No Brasil, o câmbio segue como variável relevante para a formação de preços internos. O contrato futuro de dólar com vencimento em 31 de março de 2026 está cotado a R$ 5,225, patamar que mantém a competitividade das exportações, mas também encarece insumos dolarizados, como fertilizantes,  reforçando o impacto indireto do cenário internacional sobre a cadeia produtiva.

Diante desse conjunto de fatores, o mercado de cacau permanece em um momento de transição, dividido entre a pressão imediata da oferta disponível e os riscos crescentes associados aos custos de produção e ao ambiente geopolítico. A tendência de curto prazo ainda aponta para consolidação, mas com viés de volatilidade, à medida que novos elementos fundamentais passam a influenciar a dinâmica global do setor.

Fonte: mercadodocacau

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