Por: Claudemir Zafalon
O mercado de cacau iniciou a sessão desta manhã com um movimento técnico decisivo ao romper a região de suporte em US$ 4.050/tonelada. A quebra desse patamar acionou ordens de stop e intensificou a aceleração da queda, em um ambiente marcado por novas vendas dos fundos e pela fragilidade do cenário fundamental.
No campo dos fundamentos, o viés permanece claramente pressionado. A consultoria StoneX projeta um excedente global de 287 mil toneladas para a safra 2025/26 e de 267 mil toneladas em 2026/27, sinalizando uma inversão consistente do quadro de aperto observado em ciclos anteriores. Em linha com essa leitura, a ICCO informou na última sexta-feira que os estoques globais de cacau cresceram 4,2% na comparação anual, alcançando 1,1 milhão de toneladas.
A combinação entre o rompimento técnico relevante e a perspectiva de superávit estrutural, somada à recomposição dos estoques, reforça um ambiente negativo para os preços no curto e médio prazo, com maior sensibilidade a movimentos técnicos e à atuação dos fundos.
Na sessão anterior, o contrato março oscilou entre a mínima de US$ 4.104 e a máxima de US$ 4.246, encerrando o pregão a US$ 4.177/tonelada, com alta de US$ 27. O número de negócios somou 14.033, com volume total de 36.136 contratos. O interesse em aberto registrou aumento de 1.027 contratos, totalizando 151.987 contratos, indicando manutenção do engajamento dos participantes mesmo diante da elevada volatilidade.
No mercado físico monitorado pela ICE, os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos avançaram 4.121 sacas, alcançando 1.775.219 sacas, reforçando a leitura de recomposição gradual da oferta disponível.
Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do cacau opera em torno de 27%, nível que caracteriza condição de sobrevenda, mas que, em cenários de forte pressão fundamental, não impede novas extensões do movimento de baixa. As resistências do contrato março estão localizadas nas regiões de US$ 4.250 e, posteriormente, US$ 4.500. Já os suportes relevantes se encontram em US$ 3.800 e US$ 3.500/tonelada.
No mercado cambial, o contrato futuro do dólar março, com vencimento em 27/02/2026, encerrou a última sessão a R$ 5,22 e é negociado nesta manhã em torno de R$ 5,245, adicionando um vetor adicional de atenção para a formação de preços internos e estratégias de hedge no mercado brasileiro.
O conjunto dos dados reforça um momento de predominância baixista, no qual fatores técnicos e fundamentais convergem, exigindo cautela redobrada dos agentes da cadeia e atenção aos próximos desdobramentos de oferta, demanda e fluxo financeiro.
Fonte: mercadodocacau


