Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional de cacau iniciou o novo mês ainda sem direção definida, mantendo-se em um movimento de consolidação após o recente ciclo de cobertura de posições observado no fechamento de março. A ausência de continuidade nas compras reforça a cautela dos agentes, que agora direcionam suas atenções para a divulgação dos dados de moagem do primeiro trimestre, prevista para o próximo dia 16, evento que deve servir como principal gatilho para definição de tendência no curto prazo.
O consenso entre participantes do mercado é de que os números deverão confirmar a fragilidade da demanda global, refletindo o impacto prolongado dos preços elevados ao longo de 2024 e o consequente ajuste no consumo por parte da indústria.
No pregão mais recente, o contrato de cacau com vencimento em maio encerrou a sessão cotado a US$ 3.300 por tonelada, registrando alta de US$ 145. Durante o dia, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.140 e a máxima de US$ 3.331, evidenciando um ambiente ainda volátil, porém contido dentro de uma faixa técnica bem definida.
A atividade no mercado foi intensa, com 20.124 negócios realizados e volume total de 53.729 contratos. O interesse em aberto avançou em 2.931 contratos, atingindo o patamar de 203.830, sinalizando entrada de novos participantes, embora ainda sem convicção direcional clara.
Do lado da oferta, os estoques certificados monitorados pela ICE continuam em trajetória de alta, somando agora 2.362.668 sacas após incremento diário de 1.663 sacas. Esse movimento reforça a percepção de disponibilidade confortável no curto prazo, fator que tem limitado tentativas mais consistentes de recuperação dos preços.
No campo técnico, o mercado permanece em zona neutra. O Índice de Força Relativa (RSI) gira em torno de 47%, indicando ausência de sobrecompra ou sobrevenda e corroborando o cenário de consolidação. Os principais níveis seguem bem definidos: resistências nas regiões de US$ 3.480 e US$ 3.700, enquanto os suportes estão posicionados em US$ 3.000 e US$ 2.800.
No ambiente macroeconômico, o contrato futuro do real frente ao dólar com vencimento em 30 de abril de 2026 é negociado a R$ 5,18, patamar que mantém o câmbio como variável relevante para a formação de preços no mercado doméstico, especialmente em um momento de margens pressionadas e baixa liquidez.
Fonte: mercadodocacau


