Cacau segue pressionado após queda nas vendas globais e acúmulo de estoques na África

O mercado internacional de cacau permanece sob pressão após a divulgação de números fracos na última semana, refletindo a desaceleração da demanda e problemas logísticos nos principais países produtores. Grandes companhias do setor, como Mondelez e Hershey, reportaram quedas significativas nas vendas trimestrais, de 9,4% e 5%, respectivamente, o que reforçou o sentimento negativo entre os investidores.

Na sexta-feira, Gana informou que cerca de 50 mil toneladas de cacau permanecem não vendidas e retidas nos portos do país. Estimativas de mercado, no entanto, apontam que esse volume pode ser ainda maior. Situação semelhante ocorre na Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, onde já se estimam pelo menos 100 mil toneladas de cacau encalhadas. Além dos entraves logísticos, há preocupação com a deterioração contínua do produto no interior do país, o que pode comprometer a qualidade da safra.

No mercado futuro, o contrato de cacau com vencimento em maio encerrou o pregão de sexta-feira cotado a US$ 4.286, registrando queda de US$ 8 no dia. Ao longo da sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 4.157 e a máxima de US$ 4.329. O número de negócios foi de 19.428, com volume total negociado de 46.189 contratos. Já o interesse em aberto apresentou recuo de 954 contratos, totalizando 161.538, sinalizando redução da participação dos investidores.

Os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela ICE, permaneceram estáveis em 1.804.802 sacas, sem indicar, por ora, pressão adicional do lado da oferta nos principais centros consumidores.

Do ponto de vista técnico, o Índice de Força Relativa (RSI) do cacau está em torno de 33%, patamar que indica condição próxima de sobrevenda. A resistência do contrato de maio é observada nas regiões de US$ 4.500/4.550 e US$ 4.900, enquanto os principais suportes estão nas áreas de US$ 4.000 e US$ 3.700.

Dados mais recentes da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que, no período de 27 de janeiro a 3 de fevereiro de 2026, os fundos reduziram suas posições em 747 contratos, mantendo uma posição líquida vendida de 13.451 contratos. Os pequenos especuladores também seguem vendidos, com posição de 3.103 contratos, embora tenham reduzido 1.230 contratos no mesmo período.

No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em março de 2026 permanece estável nesta manhã, negociado a R$ 5,25, fator que também influencia a dinâmica dos preços das commodities no curto prazo.

Fonte: mercadodocacau

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