Por: Claudemir Zafalon
Os contratos futuros de cacau registraram forte queda na sexta-feira, recuando mais de 10% e testando o nível de US$ 5.300 por tonelada no vencimento março, o menor patamar desde o início de dezembro. O movimento refletiu uma combinação de condições técnicas negativas, realização de lucros e reposicionamento de investidores que vinham apostando nos fluxos associados ao retorno dos contratos de cacau ao Índice BCOM.
A expectativa do mercado era de que a inclusão do cacau no índice gerasse entre 30 mil e 40 mil lotes de compras relacionadas a índices até o dia 14 de janeiro. Com parte desse movimento já precificado, agentes optaram por reduzir posições, ampliando a pressão vendedora.
Durante a sessão, o contrato março apresentou elevada volatilidade, oscilando entre a mínima de US$ 5.300 e a máxima de US$ 6.119, encerrando o dia a US$ 5.345 por tonelada, com queda expressiva de US$ 732. O volume negociado foi significativo, com 42.224 contratos no dia e 82.465 contratos no volume total. O interesse em aberto estimado caiu 876 contratos, totalizando 131.719 contratos, sinalizando saída líquida de posições.
Do ponto de vista técnico, o Índice Relativo de Força (RSI) do contrato março, com o mercado próximo a US$ 5.300, encontra-se em 36%, indicando condição de mercado ainda pressionada, porém mais próxima de níveis de sobrevenda.
Enquanto isso, a atenção dos participantes se volta para os dados de moagem do quarto trimestre de 2025, que serão divulgados nos próximos dias e devem confirmar a percepção de demanda enfraquecida. As moagens da Europa e da América do Norte serão conhecidas em 15 de janeiro, às 04h00 e 18h00 (horário de Brasília), respectivamente, enquanto os números da Ásia serão divulgados em 16 de janeiro, às 05h00.
No lado da oferta, o cenário global segue com expectativas mais favoráveis. A melhora das condições climáticas na África Ocidental, principal região produtora mundial, sustenta projeções de recuperação parcial da produção. Agricultores da Costa do Marfim relataram que as chuvas atípicas recentes elevaram o potencial produtivo das árvores para os meses de fevereiro e março, período crucial para o desempenho final da safra, que se estende de outubro a março.
Os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos também apresentaram aumento, com alta de 2.459 sacas, totalizando 1.660.515 sacas, reforçando a leitura de maior disponibilidade no curto prazo.
No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em 30 de janeiro de 2026 opera de forma estável, cotado a R$ 5,39, sem influência relevante adicional sobre as cotações do cacau neste momento.
Com a combinação de demanda fraca, ajuste técnico e sinais de melhora na oferta, o mercado de cacau segue em um momento de forte sensibilidade, com os próximos dados de moagem podendo definir a direção dos preços no curto prazo.
Fonte: mercadodocacau


