Cacau supera US$ 3.000 em reação técnica, mas excesso de oferta limita avanço estrutural

Por: Claudemir Zafalon

Os preços internacionais do cacau voltaram a superar o patamar de US$ 3.000 por tonelada no pregão de ontem, recuperando-se das mínimas registradas recentemente, níveis que não eram vistos há quase três anos. Apesar do movimento positivo, analistas avaliam que a alta reflete predominantemente compras técnicas, sem alteração relevante nos fundamentos que seguem apontando para um cenário de oferta confortável e demanda enfraquecida.

O contrato maio encerrou o dia cotado a US$ 3.021, com valorização de US$ 133. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 2.846 e a máxima de US$ 3.031. O número de negócios alcançou 23.637 operações, com volume total de 58.822 contratos. O interesse em aberto estimado aumentou em 3.228 contratos, totalizando 192.629, sinalizando recomposição de posições no mercado futuro.

Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) encontra-se na região de 25%, indicando condição de mercado sobrevendido, fator que contribuiu para o movimento de correção. As próximas zonas de resistência estão posicionadas entre US$ 3.200 e US$ 3.500 por tonelada. Já os suportes relevantes permanecem nas faixas de US$ 2.800 e US$ 2.500.

No mercado físico, as entregas de ontem somaram cinco contratos da STONEX, com recebimentos divididos entre Socgen (três contratos) e Citigroup (dois contratos), elevando o total acumulado para 729 contratos. Os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos avançaram 15.676 sacas, atingindo 2.190.446 sacas, um indicativo claro de maior disponibilidade imediata.

Os fundamentos continuam desafiadores. A Hedgepoint Global Markets projeta um excedente global de 365 mil toneladas para a safra 2025/26. A estimativa considera produção de 1,78 milhão de toneladas na Costa do Marfim, 650 mil toneladas em Gana e 615 mil toneladas no Equador. Para 2024/25, a produção mundial foi revisada para 4,728 milhões de toneladas, acima das 4,698 milhões anteriormente projetadas, representando crescimento de 8,4% frente às 4,362 milhões de toneladas registradas em 2023/24.

O clima favorável na África Ocidental vem sustentando perspectivas produtivas mais robustas, enquanto a América do Sul, especialmente o Equador, amplia sua participação na oferta global. Paralelamente, a desaceleração da demanda global contribui para o acúmulo de estoques ao redor do mundo, limitando o potencial de recuperação estrutural dos preços no curto prazo.

No câmbio, o contrato futuro do real frente ao dólar com vencimento em 31 de março de 2026 está cotado a R$ 5,25. Para o produtor brasileiro, a taxa de câmbio continua sendo variável determinante na formação do preço interno, especialmente em um contexto de diferenciais negativos e estoques elevados nas indústrias processadoras.

O mercado, portanto, segue em fase de transição: tecnicamente ajustado após semanas de forte pressão baixista, mas ainda sustentado por fundamentos que apontam oferta abundante e demanda fragilizada. A consolidação acima de US$ 3.000 dependerá não apenas de movimentos especulativos, mas principalmente de sinais mais consistentes de retomada do consumo global de derivados de cacau.

Fonte: mercadodocacau

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