COCOBOD alerta para avanço do contrabando e reforça articulação regional para proteger o setor de cacau em Gana

O Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD) intensificou o alerta sobre o avanço do contrabando de cacau no país e defendeu uma colaboração mais estreita com os Conselhos Regionais de Segurança como medida central para conter a prática, que vem sendo apontada como uma séria ameaça à sustentabilidade da cadeia cacaueira ganense.

Durante reunião com o Ministro Regional Ocidental, realizada em Sekondi, o presidente do COCOBOD, Samuel Ofosu Ampofo, classificou o contrabando como um desafio de dimensão nacional, com impactos cada vez mais relevantes sobre o desempenho da indústria. Segundo ele, o problema deixou de se restringir à exportação ilegal de amêndoas e passou a incluir também o desvio e a comercialização irregular de insumos agrícolas destinados aos produtores de cacau.

Ampofo destacou que, apenas neste ano, a COCOBOD distribuiu insumos agrícolas avaliados em cerca de US$ 5,8 milhões com o objetivo de elevar a produtividade nas lavouras. No entanto, a falta de coordenação efetiva com autoridades regionais tem aumentado o risco de desvio desses recursos, comprometendo programas de apoio aos agricultores. De acordo com o dirigente, a compreensão limitada das estruturas operacionais da COCOBOD em algumas administrações regionais dificulta o monitoramento e enfraquece a fiscalização.

Nesse contexto, o presidente do conselho defendeu que parcerias mais próximas com os Conselhos Regionais de Segurança são fundamentais para fortalecer a atuação das agências responsáveis, permitindo identificar redes de contrabando, acompanhar o fluxo de grãos e insumos e ampliar a supervisão em zonas estratégicas de produção. Para Ampofo, essa cooperação é essencial tanto para proteger os programas de suporte aos produtores quanto para resguardar as receitas nacionais provenientes do cacau.

Em complemento, o vice-diretor executivo de Operações da COCOBOD, Dr. James Kofi Kutsoati, informou que a instituição vem conduzindo reformas para reestruturar o sistema de distribuição de insumos. Segundo ele, grupos cooperativos estão sendo reorganizados em uma força-tarefa dedicada, com foco no fortalecimento do controle de pragas e doenças nas lavouras, como parte de um esforço mais amplo para recuperar a produtividade do setor.

Apesar das iniciativas, o cenário produtivo segue desafiador. A COCOBOD estabeleceu uma meta de produção de 650 mil toneladas métricas para a atual temporada, mas Ampofo reconheceu que a produção nacional sofreu uma queda acentuada, com estimativas apontando para cerca de 450 mil toneladas métricas. O contrabando foi apontado como um dos principais fatores desse recuo, uma vez que volumes significativos de cacau continuam sendo desviados para países vizinhos, especialmente Togo e Costa do Marfim.

Dados oficiais do COCOBOD indicam que Gana acumulou perdas superiores a US$ 1,1 bilhão em função do contrabando de cacau entre as temporadas 2021/22 e 2024/25. A safra 2023/24 concentrou os maiores prejuízos, com 253.212 toneladas contrabandeadas, avaliadas em aproximadamente US$ 658,3 milhões. Já na temporada em curso de 2024/25, estima-se que 29.623 toneladas tenham sido desviadas até o momento, gerando perdas da ordem de US$ 143,7 milhões.

O avanço do contrabando reforça os desafios estruturais enfrentados pelo setor cacaueiro ganense, em um momento de forte pressão sobre a oferta global. Para a COCOBOD, o fortalecimento da governança regional e da fiscalização será decisivo para conter as perdas, recuperar a produção e preservar a relevância de Gana como um dos principais produtores mundiais de cacau.

Fonte: mercadodocacau com informações foodbusinessmea

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