Conforme apontamos na semana passada, o cacau vinha embutindo um crescente prêmio de risco climático que levou as telas às máximas desde janeiro; nesta abertura de semana, contudo, o tom foi de acomodação, com o contrato de setembro abrindo em gap de baixa pela segunda sessão consecutiva após ter atingido, na última quinta-feira, o maior patamar desde 5 de novembro.
O recuo de segunda-feira soa como uma motivação predominantemente técnica, porém a análise do CFTC da semana passada, divulgado na última sexta-feira, acende um sinal de alerta. O setor comercial foi maior comprador de NY durante 30/06 até 07/07, sinalizando postura de uma indústria menos disposta a permanecer passiva: depois do trauma de 2024 e 2025, o setor comercial acelera coberturas em preço, movimento evidenciado pelos spreads que se tornam planos ou invertidos de março de 2027 em diante.
Em menor medida, os especuladores também compraram, através de short covering, mas ainda carregam uma posição relevante e não tão distante das máximas recentes, ou seja, seguem com bastante “lenha para queimar” e deixam espaço para novas pernas de alta. No campo dos fundamentos imediatos, a oferta segue confortável: os dados desta segunda-feira mostram que as chegadas acumuladas na temporada já alcançam 1,956 milhão de toneladas, alta de 19,3% frente ao mesmo período do ciclo anterior, quadro que nos levará a ampliar o superávit do ciclo atual 2025/26.
Sob a ótica da demanda, embora mais resiliente do que se esperava, não retomou os patamares pré-crise, os estoques (especialmente de manteiga) permanecem elevados e em acumulação – os números de moagem do 2º trimestre, serão importantes para compor melhor o cenário de curto-prazo. O principal fator que parece fazer preço nesse momento é o prêmio climático voltado à safra 2026/27. Levantamentos de campo apontam que mais de 20% das flores e frutos jovens teriam se perdido entre maio e junho por conta das chuvas excessivas, com estimativas de queda superior a 10% na safra principal marfinense, enquanto o fortalecimento das expectativas de um El Niño intenso ameaça o Harmattan e o desenvolvimento da próxima safra.
Em síntese, o mercado volta a equilibrar oferta ainda confortável e demanda morna, de um lado, contra um prêmio climático crescente para 2026/27 – capaz até de empurrar o balanço global para o déficit -, de outro, e tende a consolidar entre US$ 5.500 e US$ 6.000/t até que os impactos do El Niño e as estimativas para a próxima safra fiquem mais claros. Ainda assim, a combinação de uma posição vendida especulativa robusta com pouquíssimos vendedores dispostos devido às incertezas do próximo ciclo, configura uma assimetria altista relevante para quem ainda precisa comprar para 2027, como os últimos dias já demonstraram. No curto prazo, o clima no Oeste Africano e as evidências de campo sobre a próxima safra seguem como principais direcionais.
Texto de mercado desenvolvido pelo time de gerenciamento de risco da StoneX.
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