Cacau se mantém volátil durante o período de festas de fim de ano.
Entre 19 de dezembro e 2 de janeiro, os contratos futuros apresentaram movimentos mistos nos mercados internacionais. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março de 2026 recuou 1,4%, encerrando próximo de 5.871 USD/ton, enquanto em Londres a tela de mesmo vencimento avançou 1%, sendo negociada em torno de 4.327 GBP/ton.
A volatilidade predominou no período, com fatores baixistas prevalecendo na maior parte das sessões, sustentados pela expectativa positiva de oferta e pela percepção de demanda industrial fragilizada após um longo ciclo de preços acima da média.
A sessão mais relevante, contudo, ocorreu em 29 de dezembro, quando as cotações dispararam cerca de 6,5% em Londres e 5% em Nova Iorque. Esse movimento foi possivelmente impulsionado pela divulgação das entregas semanais de cacau aos portos da Costa do Marfim, que indicaram uma desaceleração significativa no ritmo de embarques. A tendência foi reforçada novamente pelos dados divulgados nesta segunda-feira, reforçando a percepção de menor fluxo e atuando como principal fator para a alta do início desta semana.
Essa oscilação atípica pode estar relacionada à menor liquidez característica do período festivo, que tende a amplificar a volatilidade dos preços. Vale destacar que o quadro de baixa liquidez se prolonga há meses, com o número de contratos em aberto ainda distante da recuperação após a queda expressiva registrada a partir de 2024.
No mesmo intervalo, o índice de commodities CRB recuou 0,8%, enquanto o Dollar Index (DXY) avançou 0,4%, sugerindo que o ambiente macroeconômico contribuiu, ao menos parcialmente, para a desvalorização do cacau, especialmente diante do comportamento relativamente negativo de ativos considerados mais arriscados, como as commodities.

