Cacau segue oscilando à espera de novos dados de demanda
Entre 27 de março e 6 de abril, os preços futuros do cacau oscilaram entre sessões de alta e de baixa e encerraram o período em leve valorização nos mercados internacionais. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em maio de 2026 avançou 2,2%, encerrando cotado a US$ 3.23/ton, enquanto em Londres o contrato equivalente subiu 3,7%, para £ 2.459/ton.
A dinâmica recente dos preços, marcada por uma faixa de oscilação mais estreita em comparação ao observado no histórico recente, reflete um processo de acomodação após a forte correção registrada entre o início do ano e o começo de março, quando as cotações chegaram a recuar cerca da metade em poucos meses. A sustentação observada desde então está associada à percepção de que os riscos estruturais à produção global de cacau permanecem relevantes para os próximos ciclos, mesmo diante de sinais pontuais de alívio no lado da oferta.
Ainda assim, no início desta semana, o mercado voltou a registrar pressão baixista, em meio a indícios de enfraquecimento da demanda por chocolate. Parte da pressão baixista pode estar associada à divulgação de notícias com estimativas preliminares de vendas de chocolates na Páscoa, período sazonalmente relevante para o consumo, quem tem indicado quedas em relação ao ano anterior.
Nesse contexto, a atenção do mercado se volta para o calendário de divulgação das moagens trimestrais, importante proxy do consumo global. Os dados começam a ser divulgados na próxima semana, com Ásia e América do Norte na quinta‑feira (16) e Europa na sexta (17). Na última divulgação, referente ao quarto trimestre de 2025, as moagens globais recuaram cerca de 7,7%, movimento cuja magnitude pode ser novamente observada, com estimativas apontando para nova contração entre 7% e 10%, reforçando o cenário de desaceleração contínua da demanda já amplamente discutido em relatórios anteriores.
Além da pressão baixista associada ao lado da demanda, parte da forte queda registrada nesta terça‑feira também pode ser atribuída à recuperação de ritmo das entregas de cacau na Costa do Marfim. Após a recente revisão para baixo dos preços fixos pagos ao produtor no país, observou‑se uma aceleração nos volumes comercializados, movimento que contribui para reforçar a pressão sobre as cotações.

