Cacau segue oscilando próximo dos 4.000 USD/ton
Ficando praticamente inalterado no preço semana-a-semana (US$3.895/t a última segunda-feira e US$3.831/t hoje), a tela CCN6 e o restante do board como um todo parecem ter consolidado nos patamares atuais em busca de novidades direcionais nos temas em voga. O primeiro deles, notadamente, é o clima imediato e o porvir diante da maior intensidade do fenômeno El Niño. Nas regiões produtoras, os impactos trazem um quadro misto: na Costa do Marfim e em Gana as chuvas acima da média vêm sustentando a umidade do solo e favorecendo o desenvolvimento da safra intermediária, reforçando a percepção de um desempenho razoável. No entanto, o excesso de chuva começa a trazer efeitos colaterais importantes – para os próximos 15 dias, é esperado de 50-150 mm a mais de chuva que a normalidade.
Relatos de campo indicam possíveis problemas para secagem das amêndoas, um fator crítico para qualidade e fluxo logístico. Soma-se a isso a ocorrência de ventos fortes, que podem derrubar flores e comprometer a formação de vagens, introduzindo um risco pontual para o potencial produtivo. Há de se considerar, ainda, que diante da maior intensidade do El Niño, a irregularidade pode ocorrer nos próximos meses, a exemplo de 2023, quando tivemos um início de chuvas excelente seguido por uma estiagem que, naquele ano, dizimou a produtividade e levou ao pior déficit global em décadas (494 mil/t em 2023/24). Dessa forma, mais do que o volume absoluto, o mercado deve monitorar a consistência do regime climático nos próximos meses.
Já o segundo fator de maior destaque é a movimentação da demanda, que vindo de uma recuperação há três trimestres, também é impactada indiretamente pela situação climática, já que o aumento da incerteza leva os participantes finais (e principalmente os compradores industriais) postergarem decisões comerciais, como cobertura de suprimentos, redução de preços, ajuste de receitas e reposicionamento de produtos, refletindo numa recuperação do consumo mais vagarosa. Logo em julho devemos ter os dados de consumo compilados do 2ºT’26 e, as proxys divulgadas até agora colocam em xeque a continuidade da tendência de recuperação: vendas de chocolate no período da Páscoa contraíram 5,2% em volume nos Estados Unidos, e pelos dados públicos em torno de 4,3% na Alemanha, o maior mercado europeu.
As chuvas no Oeste Africano são, por ora, mais construtivas do que destrutivas à produção, enquanto o El Niño segue sendo um risco antecipado, mas não imediato. Em contrapartida, a demanda continua sendo o principal driver, e recentemente ganhou viés menos positivo para a divulgação dos dados trimestrais. Nesse contexto, a leitura mais consistente é de um mercado ainda pressionado no curto prazo, com volatilidade dependente da evolução climática, mas sem um gatilho altista claro até que haja evidência concreta de impacto na oferta ou reversão mais consistente no consumo.
Texto de mercado desenvolvido pelo time de gerenciamento de risco da StoneX.
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