Cacau segue oscilando perto dos 3.000 USD/ton
Entre 20 e 27 de abril, os preços futuros do cacau oscilaram sem direção definida, dentro de uma faixa relativamente estreita, e encerraram o período em queda. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em maio de 2026 recuou 2,4%, fechando a 3.218 USD/ton, enquanto em Londres o contrato equivalente caiu 2,1%, com encerramento em 2.420 GBP/ton. O comportamento recente dos preços aponta para um período de acomodação, no qual o mercado tem encontrado limites tanto para avanços mais consistentes quanto para novas quedas.
Esse comportamento sugere que os principais vetores baixistas já estão amplamente refletidos nos preços, incluindo a perspectiva de superávit do saldo global de cacau e o ritmo ainda lento de recuperação da demanda nos destinos tradicionais. Nesse contexto, o espaço para quedas adicionais no curto prazo parece mais limitado, com níveis próximos a US$ 3.000 por tonelada parecendo atuar como referência para o mercado, a menos que haja deterioração mais relevante do consumo ou revisões expressivas para a oferta.
Ao mesmo tempo, o cenário de médio prazo segue marcado por incertezas, especialmente no campo climático. As projeções de um evento de El Niño mais intenso ao longo do ano mantêm o risco de impactos adversos sobre as safras do Oeste Africano, em particular na Costa do Marfim e em Gana. Além disso, persistem fragilidades estruturais na região, com notícias recentes indicando dificuldades financeiras enfrentadas pelos órgãos estatais de cacau em Gana, o que pode limitar investimentos e comprometer o desenvolvimento do setor, particularmente em um cenário de custos de insumos mais elevados em razão das tensões no Oriente Médio.

