Cacau avança significativamente após surpresa com dados de moagem da Malásia
Entre 7 e 13 de abril, os preços futuros do cacau apresentaram movimento de valorização nos principais mercados internacionais. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em maio de 2026 avançou 8,7% no período, encerrando cotado a US$ 3.278 por tonelada, enquanto em Londres o contrato equivalente registrou alta de 6,1%, com fechamento em £ 2.480 por tonelada.
O foco dos agentes se desloca para o calendário de divulgação das moagens trimestrais, tradicionalmente utilizadas como proxy da demanda global por cacau. Os mais importantes números referentes ao primeiro trimestre serão conhecidos nesta semana, com Ásia e América do Norte divulgando seus dados na quinta-feira (16) e a Europa na sexta-feira (17).
Na leitura anterior, referente ao quarto trimestre de 2025, as moagens globais recuaram cerca de 7,7%, confirmando a desaceleração do consumo já amplamente discutida em relatórios recentes. Para o início de 2026, as estimativas do mercado apontam para nova contração, em torno de 7% a 10%, o que, em princípio, reforçaria a percepção de enfraquecimento contínuo da demanda e tenderia a pressionar os preços para baixo.
Entretanto, divulgações recentes têm levantado dúvidas quanto à intensidade efetiva dessa queda. Nesta terça-feira, os dados de moagem da Malásia indicaram crescimento aproximado de 8,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, com o processamento totalizando 91.496 toneladas, resultado que impulsiona na sessão de hoje uma forte reação altista nos contratos futuros.
O resultado acima das expectativas sugere maior resiliência do consumo regional e reforça a hipótese de que a retração global possa ter sido menos acentuada do que o projetado. Essa leitura é corroborada pelos dados preliminares de moagem da Costa do Marfim para os meses de janeiro e fevereiro, que sinalizaram manutenção de um nível normalizado de atividade industrial no principal polo processador de cacau.

