Cacau avança em meio ao rebalanceamento de fundos de commodities
Os contratos futuros de cacau registraram forte valorização entre 5 e 12 de dezembro. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março de 2026 avançou 10,2%, encerrando próximo de 6.279 USD/ton. Em Londres, a tela de mesmo vencimento subiu 12%, sendo negociada em torno de 4.543 GBP/ton.
A alta ocorreu apesar dos números recentes indicarem bom desempenho da oferta proveniente da Costa do Marfim e da ausência de notícias relevantes do lado da demanda global, o que reforçam as perspectivas de melhora nas condições de disponibilidade de cacau ao longo do próximo ciclo.
Embora ainda existam riscos para a consolidação de uma safra superavitária no balanço global, o movimento desta semana parece ter sido impulsionado predominantemente por fatores técnicos, e não por fundamentos ligados à dinâmica física do mercado.
Mais especificamente, a aceleração das cotações pode estar relacionada a ajustes típicos deste período do ano, quando participantes do mercado rebalanceiam carteiras para acompanhar posições de grandes fundos que replicam o desempenho de algumas commodities. Em 2026, contudo, esse efeito deve ser mais intenso no cacau, sobretudo devido à sua inclusão no Bloomberg Commodity Index (BCOM), um dos principais índices globais, o que deve aumentar a demanda por contratos comprados vinculados a fundos que seguem esse benchmark.
No mesmo período, o índice de commodities CRB recuou 2,4%, enquanto o Dollar Index (DXY) caiu 0,6%. Essa dinâmica indica influência limitada do cenário macroeconômico sobre os preços do cacau, especialmente diante do desempenho negativo de outras commodities, em contraste com a expressiva alta observada nas cotações do produto.

