Comentário semanal de cacau – 18/03/2026

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Cacau avança em meio às incertezas com conflito no Oriente Médio e sinais de resiliência da demanda

Os contratos futuros de cacau avançaram pela segunda semana consecutiva entre os dias 6 e 13 de março. Em Nova Iorque, o contrato para maio de 2026 subiu 2,1%, encerrando a sexta-feira aos USD 3.297 por tonelada. Em Londres, o contrato equivalente registrou alta de 4,1%, fechando a GBP 2.411 por tonelada.

A movimentação dos contratos futuros de cacau, assim como dos mercados financeiros como um todo, segue condicionado às incertezas geopolíticas decorrentes do conflito no Oriente Médio, com notícias sobre o tema gerando oscilações distintas a cada sessão. O forte movimento de alta observado na primeira semana de março, impulsionado sobretudo pelos primeiros dias do conflito, contudo, perdeu força nas últimas sessões.

Do ponto de vista de fundamentos, o mercado segue repercutindo as decisões de redução dos preços pagos aos produtores nos dois principais produtores do Oeste Africano. Após cortes próximos de 30% em Gana, a Costa do Marfim anunciou redução de 57%, medida destinada a destravar vendas represadas e reativar o fluxo exportador. Os sinais iniciais sugerem eficácia da estratégia, com notícias de que o país já teria contratado cerca de 400 mil toneladas para exportação nos primeiros dias após o anúncio, indicando que preços mais baixos, agora mais alinhados ao mercado internacional, podem estar estimulando a retomada da demanda.

No lado da oferta, o regime de chuvas mais regular no Oeste Africano tem favorecido o florescimento e sustentado expectativas de uma safra intermediária robusta, reforçando a percepção de oferta confortável no curto prazo. Esse quadro, entretanto, contrasta com a crescente relevância de riscos climáticos no horizonte de médio prazo. Segundo o NOAA, aumentaram as probabilidades de formação de um evento El Niño. 

Historicamente, a ocorrência de El Niño na região produtora de cacau tende a elevar temperaturas e reduzir a pluviosidade, condições que podem provocar estresse hídrico, queda de produtividade e maior incidência de doenças nas lavouras. Esses riscos climáticos permanecem, portanto, como um vetor de incerteza relevante para o balanço global de oferta ao longo de 2026.

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