Cacau recua na semana, mas segue operando acima dos 5.000 USD/ton
O mercado de cacau voltou a operar em terreno mais defensivo após a forte correção provocada pelos dados de moagem do segundo trimestre, que trouxeram uma mensagem menos linear para a demanda.
A Europa decepcionou, com a moagem caindo 4,6% no comparativo anual e atingindo 316,4 mil toneladas, o menor volume para um segundo trimestre desde 2020, reforçando que o choque de preços dos últimos dois anos ainda limita a retomada do consumo no principal polo tradicional de processamento. Em contrapartida, os números da Ásia e da América do Norte surpreenderam positivamente. A moagem asiática avançou cerca de 25%, para 224,6 mil toneladas, enquanto a norte-americana cresceu 7,7%, para 110 mil toneladas, ambos os resultados acima das expectativas do mercado e sugerindo que a demanda industrial continua mostrando sinais de recuperação fora da Europa, ainda que de forma desigual entre as regiões.
Do lado da oferta, o risco climático permanece muito alto: as chuvas estão muito irregulares com déficit de chuvas em regiões importantes como Bas-Sassandra e Gôh-Djiboua, além de temperaturas acima da média, combinação que pode afetar a qualidade da safra intermediária e o desenvolvimento inicial das vagens da próxima safra principal. Isso mantém o prêmio de risco sobre 2026/27, mesmo com as chegadas acumuladas ainda confortáveis e com o mercado trabalhando com uma safra 2025/26 mais folgada. Também vale destacar que os embarques acumulados da Costa do Marfim chegaram a 2,09 milhões de toneladas entre 1º de outubro de 2025 e 12 de julho de 2026, alta de 21% frente ao mesmo período do ano anterior, enquanto os estoques certificados da ICE subiram para 3.194.270 sacas, máxima de dois anos.
Em outras palavras, esta alta recente nos preços não reflete os fundamentos de curto-prazo. Entretanto, mais para o médio-prazo, os agentes tem se preocupado com a safra nova: relatório divulgado recentemente, citando quatro contadores de vagens e cinco grandes exportadores na Costa do Marfim, indicou que a safra principal de 2026/27 do país pode cair mais de 10% em função do excesso de chuvas observado no início desta temporada. O resultado disso poderia desenhar um cenário de que a colheita total de cacau da Costa do Marfim em 2026/27 pode recuar cerca de 20%.
Nesta linha, levantamentos de campo mostram que mais de 20% das flores e dos cherelles morreram entre maio e junho devido às chuvas intensas. As condições mais frias que acompanharam o excesso de umidade também podem ter favorecido a disseminação da doença conhecida como black pod. O clima favorável ao desenvolvimento das lavouras entre janeiro e maio ajudou a produzir amêndoas excepcionalmente grandes e contagens elevadas, em torno de 110 amêndoas por 100 gramas, contra uma média de 130 a 160.
Isso beneficia a atual safra intermediária, mas também pode indicar que as árvores estão exauridas e propensas a produzir menos na próxima temporada. Para os próximos dias, a atenção deve permanecer concentrada em três pontos: evolução das chuvas no Oeste Africano, confirmação da recuperação da demanda fora da Europa e comportamento dos fundos, dado que eles ainda possuem uma posição vendida significativa (-19 mil lotes vendidos).
Texto de mercado desenvolvido pelo time de gerenciamento de risco da StoneX.
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