O cacau inicia a semana ainda em tom defensivo, apesar da leve alta nessa terça-feira, com os preços devolvendo parte do prêmio climático incorporado no início de julho e voltando a negociar próximos das mínimas das últimas semanas, ao redor dos US$ 5.000/t.
O mercado continua dividido entre fundamentos distintos no curto e no médio prazo. Enquanto a disponibilidade da safra 2025/26 segue mostrando melhora, sustentada pelas elevadas entregas da Costa do Marfim e pela recuperação dos estoques certificados da ICE, a atenção dos participantes permanece concentrada sobre o potencial produtivo da safra 2026/27, cuja definição dependerá, principalmente, das condições climáticas durante os próximos meses.
Pelo lado da demanda, os resultados das moagens do segundo trimestre reforçaram um cenário menos homogêneo do que o observado nas primeiras divulgações. A Europa registrou retração de 4,6% frente ao mesmo período do ano anterior, alcançando o menor volume para um segundo trimestre desde 2020. Em contrapartida, Ásia e América do Norte apresentaram desempenhos significativamente mais fortes, com crescimento de aproximadamente 25% e 7,7%, respectivamente. No agregado, as moagens globais avançaram cerca de 10%, indicando que a recuperação do consumo segue ocorrendo, embora de forma bastante desigual entre as regiões.
Esse quadro também foi reforçado por declarações recentes da indústria. Grandes fabricantes continuam indicando que os preços do chocolate devem permanecer elevados por mais algum tempo, uma vez que o setor ainda busca recompor margens após o forte aumento dos custos das matérias-primas registrado nos últimos dois anos. Dessa forma, apesar da melhora parcial da demanda, o mercado ainda encontra dificuldades para sustentar movimentos expressivos de alta exclusivamente com base em fatores climáticos.
Pelo lado da oferta, as entregas acumuladas na Costa do Marfim seguem indicando uma safra 2025/26 relativamente confortável. Entretanto, começam a surgir relatos mais consistentes de problemas para o desenvolvimento da próxima safra principal em diferentes regiões produtoras do Oeste Africano, mantendo elevada a incerteza para o ciclo 2026/27.
A StoneX divulgará amanhã sua atualização trimestral do balanço global de cacau, incorporando novas estimativas para produção, moagem e estoques finais das safras 2025/26 e 2026/27. Embora o cenário-base continue indicando superávit global na próxima temporada, o balanço tende a ficar mais sensível aos riscos associados ao desenvolvimento do El Niño e às condições climáticas observadas durante os próximos meses.
Texto de mercado desenvolvido pelo time de gerenciamento de risco da StoneX.
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