Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional de cacau iniciou o período de Páscoa sob pressão, refletindo sinais de desaceleração na demanda global. Além disso, fatores pontuais, como o feriado conhecido como “Pascoela” no Reino Unido, contribuíram para ajustes operacionais, incluindo o atraso na abertura do contrato de cacau em Nova York.
De acordo com estimativas da Bloomberg Intelligence, as vendas globais de chocolates nesta Páscoa devem registrar uma queda de aproximadamente 5% em relação ao ano anterior. A expectativa de menor consumo, justamente em um dos períodos mais importantes para o setor, influenciou diretamente o comportamento dos preços.
Na última sessão de quinta-feira, o contrato de cacau com vencimento em maio encerrou cotado a US$ 3.245, registrando queda de US$ 100. Durante o pregão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.196 e a máxima de US$ 3.357, indicando um mercado volátil e sensível às projeções de demanda.
Outro fator que contribuiu para a pressão sobre os preços foi o aumento nos estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE), nos portos dos Estados Unidos. Houve acréscimo de 9.473 sacas, totalizando 2.375.262 sacas disponíveis.
O crescimento dos estoques, aliado à expectativa de menor consumo, reforça o cenário de oferta relativamente confortável no curto prazo.
Os indicadores técnicos também refletem um mercado em equilíbrio, com viés de baixa. O RSI (Índice de Força Relativa) está na faixa de 45%, sugerindo ausência de sobrecompra ou sobrevenda, mas com tendência levemente negativa.
Já dados divulgados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que, entre os dias 24 e 31 de março, fundos aumentaram suas posições vendidas em 1.807 contratos, atingindo uma posição líquida vendida de 14.468 contratos. Esse movimento indica uma expectativa predominante de queda ou cautela por parte dos investidores institucionais.
No campo técnico, o contrato de maio encontra resistência na faixa entre US$ 3.350 e US$ 3.500, enquanto os principais suportes estão nas regiões de US$ 3.100 e US$ 2.800.
Outro ponto de atenção é o câmbio. O contrato futuro Real x Dólar com vencimento em 30 de abril de 2026 está cotado a R$ 5,18, fator relevante especialmente para países produtores como o Brasil, onde a variação cambial impacta diretamente a competitividade e a rentabilidade das exportações.
Fonte: mercadodocacau


