Os contratos futuros de cacau registraram forte recuperação na bolsa de Nova York, impulsionados por sinais de retomada de demanda física e por fatores macroeconômicos que voltaram a trazer volatilidade aos mercados globais.
O movimento de alta ganhou força após a divulgação, pela Reuters, de que moageiras locais da Costa do Marfim adquiriram mais de 400 mil toneladas de cacau em contratos de exportação apenas nos dez dias seguintes à retomada das compras. O volume expressivo indica que parte da indústria voltou ao mercado aproveitando a recente queda das cotações internacionais, sugerindo o surgimento de uma nova onda de demanda após semanas de retração.
Paralelamente, o ambiente geopolítico também contribuiu para o aumento da volatilidade nos mercados de commodities. As tensões no Oriente Médio e na região estratégica do Estreito de Ormuz elevaram as preocupações com pressões inflacionárias globais, especialmente diante da alta do petróleo e do possível impacto sobre os custos de transporte e frete internacional, fator que costuma influenciar diretamente o comércio de commodities agrícolas.
No pregão mais recente, o contrato de cacau para maio encerrou cotado a US$ 3.447 por tonelada, com alta de US$ 158. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.292 e a máxima de US$ 3.453. O mercado registrou 19.166 negócios, com volume total de 41.114 contratos negociados.
O interesse em aberto também apresentou crescimento, avançando 852 contratos, para um total estimado de 192.849 posições, sinalizando maior participação dos agentes financeiros.
Nos Estados Unidos, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) voltaram a subir, com aumento de 7.827 sacas, alcançando 2.228.673 sacas armazenadas nos portos do país. A elevação dos estoques segue refletindo o cenário recente de demanda mais cautelosa da indústria global.
Do ponto de vista técnico, o Índice de Força Relativa (RSI) do cacau permanece próximo de 40%, indicando que o mercado ainda se encontra distante de níveis de sobrecompra e mantém espaço para movimentos adicionais de recuperação.
No mercado físico da bolsa, foram registradas entregas de 40 contratos, realizadas pela StoneX. Os principais recebedores foram Citigroup, com 14 contratos, e Societe Generale, com 26 contratos. O total acumulado de entregas na atual posição soma 781 contratos.
Analistas apontam que, no curto prazo, o mercado deve observar resistências importantes nas regiões de US$ 3.500 e US$ 3.800, enquanto os suportes técnicos se encontram entre US$ 3.100 e US$ 2.800.
No câmbio, o contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 31 de março de 2026 está cotado a R$ 5,19, fator que também segue sendo monitorado pelos agentes do mercado brasileiro, uma vez que a taxa de câmbio influencia diretamente a formação de preços do cacau no mercado interno.
A combinação entre retorno pontual da demanda, tensões geopolíticas e ajustes técnicos nas bolsas mantém o mercado do cacau em um ambiente de elevada volatilidade, com investidores e agentes da cadeia atentos aos próximos sinais da indústria processadora e ao comportamento das economias globais.
Fonte: mercadodocacau


