Contrato de março entra em fase decisiva e amplia pressão sobre o mercado de cacau

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional de cacau encerra a semana sob forte pressão técnica e fundamental. Esta sexta-feira marca o último dia para a saída de posições do contrato de março antes do início do período de liquidação física, movimento que tradicionalmente eleva a volatilidade e força ajustes relevantes nas carteiras dos participantes.

A proximidade da entrega física, combinada com o avanço dos estoques certificados e a percepção de oferta mais confortável no curto prazo, intensificou a liquidação de posições compradas. O elevado volume negociado nas últimas sessões deixa claro que houve uma saída coordenada de investidores que não demonstraram interesse em receber o produto a preços significativamente acima dos níveis atuais.

O contrato de maio encerrou o pregão anterior a US$ 3.058 por tonelada, registrando queda expressiva de US$ 256 no dia. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.052 e a máxima de US$ 3.375, refletindo a elevada volatilidade. O número de negócios foi robusto, alcançando 32.201 operações, com volume total de 71.477 contratos. O interesse em aberto aumentou em 4.346 posições, atingindo 163.962 contratos, sinal de que novas posições continuam sendo construídas mesmo em meio à pressão vendedora.

No campo fundamental, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos avançaram 22.715 sacas, totalizando 2.087.755 sacas. O crescimento contínuo dos estoques reforça a percepção de maior disponibilidade imediata da commodity, limitando tentativas de recuperação consistente dos preços.

Outro fator que pesa sobre o mercado é o cenário climático favorável na África Ocidental, especialmente em Costa do Marfim e Gana. Além disso, a política de preços desencontrada entre os principais produtores africanos segue gerando ruídos na formação de valor da matéria-prima, ampliando incertezas e contribuindo para a postura mais defensiva dos compradores internacionais.

Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) encontra-se na região de 19%, território considerado sobrevendido. Esse patamar sugere que o mercado pode estar sujeito a movimentos de correção técnica no curto prazo, especialmente se houver redução no ritmo de liquidação ou surgimento de compras oportunísticas.

As resistências mais relevantes para o contrato de maio estão posicionadas na faixa entre US$ 3.500 e US$ 3.650 por tonelada. Já os suportes técnicos estão concentrados entre US$ 3.000 e US$ 2.750, zona que passa a ser decisiva para a manutenção ou não do atual viés baixista.

No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em 27 de fevereiro de 2026 opera estável em R$ 5,23. A estabilidade da moeda americana frente ao real limita movimentos adicionais de compensação para o produtor brasileiro, mantendo o foco predominantemente nas variáveis internacionais.

O ambiente atual combina fatores técnicos sensíveis, aumento de estoques e transição contratual relevante. Enquanto o mercado tenta encontrar um novo ponto de equilíbrio, a volatilidade deve permanecer elevada, com o comportamento dos fundos e o fluxo de entrega física sendo determinantes para os próximos movimentos.

Fonte: mercadodocacau

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