O Conselho do Café e do Cacau da Costa do Marfim (CCC) lançou oficialmente um programa emergencial de recompra de grãos de cacau que vêm se acumulando nas mãos dos produtores marfinenses há várias semanas, em meio ao impasse comercial provocado pela recente queda dos preços internacionais. A informação foi confirmada na quinta-feira pelo diretor-geral do órgão, Yves Brahima Kone.
Na semana anterior, o governo já havia anunciado que o CCC iria adquirir até 100 mil toneladas métricas de cacau excedente, como forma de destravar o sistema de comercialização doméstica. O bloqueio ocorreu após exportadores se recusarem a comprar os grãos pelo preço mínimo garantido de 2.800 francos CFA por quilo, valor estabelecido para a safra principal 2025/26.
Segundo exportadores e cooperativas ouvidos pela Reuters, as tradings internacionais consideram o cacau marfinense caro diante do novo contexto global, marcado por recuo nas cotações em Nova York e Londres. Além disso, o setor exportador pressiona por redução dos diferenciais de preços e pela eliminação do diferencial de renda digna (DRD), mecanismo criado para complementar a remuneração dos produtores.
O preço mínimo de 2.800 francos CFA/kg foi anunciado em outubro pelo presidente Alassane Ouattara e representou um recorde histórico para o país, maior produtor mundial de cacau. No entanto, a mudança no cenário internacional acabou criando um desalinhamento entre o preço interno regulado e os valores praticados no mercado global.
Durante coletiva de imprensa, Kone afirmou que o programa de recompra seguirá até o fim de março e terá como foco inicial a absorção do volume retido nas fazendas e cooperativas. “Começamos a comprar os grãos de cacau que os agricultores acumularam e não conseguiram vender por várias semanas”, declarou.
O custo estimado da operação supera 280 bilhões de francos CFA, o equivalente a aproximadamente US$ 516 milhões, e tem como objetivo central evitar uma crise social em um país onde os produtores rurais são considerados o elo mais vulnerável de uma cadeia dominada por grandes multinacionais do comércio e da indústria chocolateira.
A estratégia será dividida em duas etapas. Na primeira fase, o CCC realizará a compra e o armazenamento dos grãos. A segunda fase será voltada para a exportação dos estoques, assim que houver interesse do mercado. Segundo Kone, o conselho está preparado para vender rapidamente o cacau adquirido caso surjam compradores.
Na quinta-feira, a CCC recebeu cerca de 200 toneladas de grãos recém-adquiridos em sua planta de comercialização Transcao. A expectativa é de que o órgão compre, em média, 10 mil toneladas por semana, acelerando o escoamento do excedente e normalizando o fluxo comercial interno.
A iniciativa reforça o papel do Estado marfinense como agente ativo na regulação do mercado de cacau e evidencia os desafios de manter políticas de preços mínimos em um ambiente global cada vez mais volátil e sensível às mudanças nos fundamentos de oferta e demanda.
Fonte: mercadodocacau com informações Reuters


