O governo da Costa do Marfim confirmou que manterá o programa de aquisição de um estoque residual de aproximadamente 100 mil toneladas de cacau, iniciativa criada para reduzir tensões no setor e garantir liquidez aos produtores em um momento de forte volatilidade no mercado internacional.
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a decisão ocorre após preocupações manifestadas por agricultores e cooperativas nas últimas semanas sobre uma possível suspensão do programa. O receio surgiu principalmente porque a colheita da safra intermediária começou mais cedo que o habitual, levantando dúvidas sobre a continuidade das compras governamentais.
A iniciativa foi lançada no final de janeiro como uma forma de absorver volumes que não estavam encontrando compradores no mercado, após a queda expressiva das cotações internacionais do cacau. Com a manutenção do programa, o governo marfinense reafirma que continuará adquirindo o produto ao preço mínimo garantido de 2.800 francos CFA por quilo, equivalente a cerca de US$ 5,00/kg, buscando preservar a renda dos produtores e evitar pressões adicionais sobre o mercado interno.
Enquanto isso, nas bolsas internacionais, o mercado de cacau segue demonstrando elevada volatilidade. O contrato de maio encerrou o pregão mais recente a US$ 3.015 por tonelada, registrando leve queda de US$ 6 no dia, após oscilar entre US$ 2.892 e US$ 3.051. O volume de negociação foi de 18.029 negócios, com movimentação total de 40.985 contratos.
O interesse em aberto recuou em 1.237 contratos, passando para 191.963, indicando uma leve redução no número de posições ativas no mercado. Não houve entregas físicas no pregão mais recente, mantendo o total acumulado em 729 contratos entregues até o momento.
Nos Estados Unidos, os estoques certificados de cacau monitorados pela ICE continuam aumentando, refletindo o ambiente de oferta mais confortável no curto prazo. Os volumes cresceram 9.612 sacas, atingindo 2.200.058 sacas, reforçando a percepção de maior disponibilidade do produto para entrega imediata.
Do ponto de vista técnico, o mercado permanece pressionado. O RSI (Índice de Força Relativa) está em torno de 29%, nível considerado próximo da região de sobrevenda, o que pode abrir espaço para eventuais movimentos de recuperação técnica. No entanto, os analistas observam que a tendência ainda depende da dinâmica entre oferta crescente e demanda global enfraquecida.
Os níveis técnicos indicam resistência entre US$ 3.200 e US$ 3.500, enquanto os suportes mais relevantes estão nas faixas de US$ 2.800 e US$ 2.500 por tonelada.
No mercado cambial, fator sempre relevante para países produtores e exportadores, o contrato futuro do real frente ao dólar com vencimento em 31 de março de 2026 é negociado próximo de R$ 5,285, influenciando diretamente a formação de preços e a competitividade das exportações de cacau.
A combinação entre intervenções governamentais na África Ocidental, estoques crescentes nos mercados internacionais e sinais ainda frágeis da demanda global mantém o setor em um período de transição, no qual movimentos técnicos e decisões políticas podem continuar desempenhando papel determinante na formação dos preços nas próximas semanas.
Fonte: mercadodocacau


