Por Adilson Reis, dezembro 2025
O ano de 2025 ficará marcado como um divisor de águas para o mercado global de cacau. Após o choque de oferta iniciado em 2024, o mercado entrou em um novo estágio de preços historicamente elevados, os quais, passaram a impactar diretamente o consumo, alterando de forma estrutural a dinâmica da indústria chocolateira.
Na bolsa de Nova York (ICE US), o cacau iniciou o ano ainda sustentado pela forte escassez de amêndoas, estoques globais apertados e baixa liquidez. O mercado operou em ambiente de extrema volatilidade, testando patamares elevados e confirmando que o cacau havia entrado em um regime de preços muito acima da média histórica. No entanto, ao longo de 2025, ficou evidente que esses níveis não poderiam ser sustentados indefinidamente sem consequências.
O reflexo dos preços elevados se espalhou rapidamente pela cadeia. A valorização do cacau pressionou de forma intensa os derivados industriais, manteiga, liquor e pó, resultando em aumentos expressivos nos custos de produção. No varejo global, o repasse tornou-se inevitável, impulsionando a inflação do chocolate e reduzindo o poder de compra do consumidor final.
Esse movimento em 2025 desencadeou uma firme retração de demanda. Indicadores de moagem ao longo do ano passaram a sinalizar queda relevante do consumo industrial, especialmente na Europa, América do Norte e Ásia. O cacau caro deixou de ser apenas um problema de margem e passou a alterar decisões estratégicas das indústrias.
Diante desse cenário, o setor chocolateiro acelerou mudanças estruturais. Reformulações de produtos ganharam força, com redução do teor de cacau em diversas aplicações, ajustes de gramatura, simplificação de portfólios e maior foco em linhas premium. Paralelamente, avançou o uso de ingredientes substitutos, como gorduras alternativas à manteiga de cacau e bases aromáticas que permitem produtos “sabor chocolate” com menor dependência do grão. Em muitos casos, essas adaptações deixaram de ser medidas temporárias e passaram a integrar estratégias permanentes de mitigação de risco.
Ao final de 2025, o mercado passou a precificar um novo equilíbrio. A perspectiva de recomposição parcial da oferta global trouxe alívio às cotações, mas o comportamento da demanda mostrou que o mercado não retornará facilmente aos padrões anteriores. O setor saiu do ano mais cauteloso, financeiramente pressionado e estruturalmente transformado.
Para 2026, o cenário aponta para um mercado ainda volátil, porém menos explosivo. A expectativa predominante é de maior equilíbrio entre oferta e demanda, com preços médios historicamente elevados, mas limitados pela resposta da indústria e pela nova configuração do consumo. Riscos climáticos e produtivos seguem no radar, enquanto a demanda deve se recuperar apenas de forma gradual.
Enfim, o ano de 2025 não foi apenas mais um ano de preços altos. Foi o momento em que o mercado aprendeu, de forma definitiva, que o cacau em preços elevados, favorece o elo de produção primária, entretanto muda hábitos, fórmulas e estratégias nos setores industriais. O desafio de 2026 será encontrar um ponto de estabilidade sustentável capaz de harmonizar a cadeia produtiva do setor em todos os níveis de atuação.
Fonte: mercadodocacau


