A Barry Callebaut, líder mundial na fabricação de produtos de chocolate e cacau, divulgou nesta quarta-feira (5) seus resultados anuais referentes ao exercício fiscal de 2024/25, marcados por um cenário de forte volatilidade e ajustes estratégicos. O grupo suíço-belga registrou queda de 6,8% no volume total de vendas, com retração de 5,3% no segmento Global Chocolate e de 12,8% no Global Cocoa, reflexo direto das mudanças no comportamento do consumidor e da decisão da empresa de priorizar retornos sobre o capital no mercado de cacau.
“O último ano fiscal foi marcado por uma volatilidade excepcional e sem precedentes nos mercados de cacau e chocolate, impactando tanto a Barry Callebaut quanto nossos clientes”, afirmou o CEO Peter Feld, em comunicado oficial.
Alta nos preços impulsiona receita recorde
Apesar da queda nos volumes, a Barry Callebaut alcançou crescimento expressivo de 49% na receita, atingindo CHF 14,8 bilhões (€ 15,9 bilhões), impulsionada pelos preços mais altos do cacau. O lucro operacional recorrente (EBIT) aumentou 6,4%, mostrando resiliência frente às condições de mercado desafiadoras.
A empresa também destacou uma forte geração de caixa no segundo semestre, totalizando CHF 1,8 bilhão, e uma redução significativa na alavancagem financeira, de 6,5x para 4,5x dívida líquida/EBITDA. Ainda assim, o fluxo de caixa livre acumulado do ano permaneceu negativo em CHF -3,1 bilhões, refletindo o impacto dos investimentos em transformação digital e capacitação.
O lucro líquido recorrente recuou 35,9%, pressionado por custos adicionais relacionados à implementação de novas plataformas digitais e programas de eficiência, parte do plano “BC Next Level”, voltado à modernização operacional e à melhoria da produtividade global.
Para o exercício de 2025/26, a Barry Callebaut traçou um plano ambicioso para reduzir sua alavancagem para menos de 3,5x e retomar o crescimento sustentável a partir do segundo semestre do próximo ano fiscal. A empresa espera que o primeiro semestre ainda enfrente pressões, mas projeta melhora gradual à medida que os preços do cacau se estabilizem e as medidas de eficiência ganhem tração.
As previsões indicam:
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Queda média de um dígito nos volumes de Global Chocolate;
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Recuo médio a alto de um dígito no Global Cocoa, devido à priorização de retorno sobre o capital investido (ROIC);
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Crescimento de um dígito baixo a médio no EBIT recorrente;
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Avanço de dois dígitos no lucro recorrente antes dos impostos, medido em moedas locais.
Segundo Feld, o foco da companhia agora está em “preparar a Barry Callebaut para voltar a crescer”, com ênfase em três pilares: liderança em chocolate, expansão de coberturas e compostos de cacau e lançamento de soluções sem cacau, um movimento inovador diante do cenário de oferta restrita e preços elevados.
Para os clientes da Barry Callebaut — que vão desde chocolatiers artesanais até gigantes da confeitaria e alimentos —, as mudanças estratégicas representam um período de transição e reequilíbrio.
A continuidade da volatilidade nos preços e os gargalos logísticos nos países produtores devem manter a pressão de custos no curto prazo. No entanto, o foco da empresa em eficiência operacional, digitalização e estabilidade financeira tende a fortalecer a confiabilidade dos serviços e abrir espaço para novas soluções e inovações em produtos.
Ao consolidar sua base financeira e reforçar sua presença global, a Barry Callebaut sinaliza ao mercado que está pronta para enfrentar a nova fase da indústria do cacau, marcada por escassez de oferta, preços recordes e uma transição estratégica rumo a modelos mais sustentáveis e rentáveis.
Fonte: mercadodocacau


