Apesar das expectativas de sustentação dos preços com a reclassificação do cacau no Bloomberg Commodity Index (BCOM), o mercado mostrou, no pregão de 09 de janeiro, que o fluxo técnico não foi suficiente para manter o viés altista. As bolsas recuaram de forma consistente, evidenciando que, no curto prazo, os fundamentos voltaram a comandar a formação de preços.
A leitura predominante entre analistas é que o efeito do BCOM, embora relevante do ponto de vista de volume e volatilidade, tem caráter pontual e concentrado no tempo. Parte dos participantes se posicionou de maneira antecipada à janela de rebalanceamento e, diante da ausência de novos gatilhos altistas, optou por realizar posições. Esse movimento ganhou tração em um ambiente já sensível, marcado por níveis críticos de demanda.
Do lado do consumo, o mercado segue cauteloso. Os preços elevados praticados nos últimos meses continuam limitando a capacidade de absorção da cadeia, especialmente no segmento de moagem e na indústria chocolateira. O repasse ao varejo ainda encontra resistência, o que mantém o consumo final pressionado e reduz a disposição para sustentar novos patamares de alta apenas por efeito técnico.
Ao mesmo tempo, o noticiário de oferta passou a pesar mais na precificação. No Oeste Africano, relatos de chuvas acima do esperado em plena estação seca reacenderam a expectativa de melhora na reta final da safra principal, sobretudo entre fevereiro e março. Ainda que não se fale em normalização plena, qualquer sinal de alívio na disponibilidade física tende a reduzir o prêmio de risco embutido nos preços.
Na América do Sul, a expansão da produção também entrou novamente no radar. O avanço das áreas e dos volumes no Equador, somado à maior presença de origens alternativas como o Peru, reforça a percepção de que os preços elevados estão estimulando respostas do lado da oferta, mesmo que de forma gradual e desigual entre regiões.
O resultado desse conjunto de fatores foi um mercado mais defensivo, no qual o suporte esperado pelo BCOM não se confirmou de forma contínua. O pregão serviu como lembrete de que o índice pode amplificar movimentos e gerar volatilidade, mas não substitui a equação central do mercado: oferta disponível versus demanda efetiva.
Para os próximos dias, a tendência é de manutenção de um ambiente instável, com o mercado reagindo de forma rápida a dados de clima, sinais dos resultados da moagemdo 4° trimestre 2025 e ajustes técnicos operacionais. Em um cenário de fundamentos ainda frágeis, os preços seguem mais dependentes de confirmação real do consumo do que de estímulos pontuais vindos dos fluxos de índice.
Fonte: mercadodocacau


