Uma Missão da Embaixada Francesa no Brasil está em Belém negociando com o governo do Pará a cooperação em pesquisas científicas sobre a Amazônia. Nesta terça-feira, 26, os franceses foram recebidos pelo titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Hildegardo Nunes. O chefe da missão, Philippe Martineau, conselheiro de Cooperação e Ação Cultural adjunto, informou que o interesse do governo francês é ampliar a cooperação com o Brasil saindo do eixo Rio-São Paulo e integrando o Pará em um intercâmbio de estudos científicos sobre a Amazônia.
A participação do Estado será discutida durante a Semana Científica que será realizada em Belém, de 13 a 17 de junho, dedicada aos 400 anos da cidade. A agropecuária e a biodiversidade amazônicas estão entre os temas a serem debatidos no encontro, que vai reunir pesquisadores brasileiros e franceses.
O secretário Hildegardo Nunes lembrou a ligação histórico-cultural do Pará com a França, desde o período da Borracha, no início do século passado, quando Belém era considerada uma espécie de Paris na América, pela influência na sua arquitetura, cultura e no vestuário das mulheres da chamada Belle Epóque. “Hoje temos um vasto leque de alternativas para pesquisa de matéria-prima na área industrial, como a de cosméticos, por exemplo, o cacau para produção de chocolate e o óleo de palma”, informou Nunes. O Pará já fornece amêndoas de cacau para a França e há cinco anos participa do Salão do Chocolate de Paris.
Na floricultura, o Pará negocia com a Martinica o fornecimento de flores ao mercado caribenho, que vem estudando os produtos brasileiros, em especial os paraenses, habilitados à exportação, como prevê a legislação internacional.
O pesquisador Frédéric Huinh, do IRD, sigla em francês do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, apresentou o programa franco-brasileiro Guia Amazônico, que busca fortalecer a participação universitária em mestrados e doutorados nas diversas áreas do conhecimento no Brasil e na França. O programa tem hoje 22 projetos binacionais.
Hildegardo Nunes informou que os interesses do governo paraense se encaixam nas linhas de pesquisa do Guia Amazônico, especialmente nas áreas de pesca, agricultura familiar e agroecologia. “Buscamos um novo modelo de assistência técnica, onde o conhecimento de novas tecnologias, associadas à sustentabilidade, chegue nas comunidades rurais”, enfatizou o secretário.
Integram também a missão francesa em Belém, Olivier Fudym, Bernard Mallet e Laura Peudenier, representantes de instituições de pesquisa da França. Fonte: Agência Pará


